As vendas da Cyrela no terceiro tri desapontaram o mercado, acusando o impacto das restrições da Caixa no Minha Casa Minha Vida e a desaceleração no alto padrão.
A ação recuava 5% por volta das 12h50, uma das maiores quedas do Ibovespa hoje.
A companhia da família Horn vendeu R$ 2,7 bilhões no tri, 23% abaixo do registrado no mesmo período do ano passado e 14% inferior ao previsto pelo BTG Pactual, por exemplo.
Para o banco, o principal detrator do resultado foi a performance fraca no MCMV. A velocidade de vendas do segmento, no qual Cyrela atua por meio da marca da Vivaz, caiu para 17%, contra uma média de 30% em trimestres anteriores.
No terceiro tri, a Caixa passou a adotar critérios mais rigorosos para a concessão de financiamentos aos compradores que utilizam o programa habitacional.
A revisão dos critérios também afeta diretamente as incorporadoras, pois vincula a pontuação de crédito para aprovação de novos projetos à inadimplência das famílias.
Apesar disso, o BTG manteve a recomendação de compra para a ação, pois acredita que a Cyrela será muito beneficiada pela continuidade do ciclo de queda da Selic e é negociada a um valuation atrativo.
Na outra ponta do mercado, as vendas no alto padrão também desapontaram – R$ 832 milhões, uma queda de 44% contra o R$ 1,5 bilhão reportado no terceiro tri do ano passado.
Nesse caso, o Itaú BBA diz que parte do impacto se deve ao calendário: muitas das vendas do Heritage Riviera – o primeiro condomínio de campo da Cyrela – ocorreram no final do tri e devem ser reconhecidas apenas no próximo tri.
No quesito lançamentos, os números também vieram abaixo do esperado pelo banco. Considerando apenas a participação da Cyrela nos projetos, o VGV lançado foi de R$ 2,9 bilhões, queda de 16% na comparação anual e de 7% ante previsão do BBA.
O banco também manteve, porém, a recomendação de compra para a ação da incorporadora, pois considera que o cenário macro está mais favorável para os juros no longo prazo e esse é um catalisador chave para o papel.
As perspectivas de taxas menores também podem favorecer a venda da torre corporativa da Cyrela, o que deve destravar um valor equivalente a 3% a 4% do market cap da empresa, hoje em R$ 14,4 bi.




