Nos endereços mais caros da Flórida, tem gente muito rica comprando mansões de US$ 100 milhões não para morar, mas para demolir o imóvel e incorporar o terreno às suas residências já estabelecidas.
O fenômeno ganhou força em particular na luxuosa Palm Beach, onde quase não há mais terreno à beira-mar disponível e até mansões recém-construídas estão sendo destruídas, segundo o Wall Street Journal.
O interesse de quem compra pode ser ganhar espaço para ter áreas de lazer; garantir uma vista para o mar; ou até construir uma nova casa no lugar, já que, com os terrenos ficando mais caros, o custo de reposição do imóvel cai em termos percentuais, segundo o avaliador Jonathan Miller, em declaração ao WSJ.
O caso mais emblemático é o de William P. Lauder, bilionário do ramo dos cosméticos. Em 2023, ele pagou US$ 155 milhões (até então o valor recorde para um imóvel em Palm Beach) pela casa do radialista Rush Limbaugh, de cerca de 2.230 m², com salão inspirado em Versalhes e biblioteca baseada na do Biltmore Estate. Em julho, o terreno já estava vazio.
Depois, em 2025, comprou e derrubou duas casas (uma com apenas seis anos) em outra parte de Palm Beach, com o plano de construir sua residência na cidade, mas no fim acabou vendendo o lote vazio por cerca de US$ 200 milhões a um comprador ligado à Microsoft.
Em Manalapan, cidade vizinha a Palm Beach, David MacNeil, fundador da WeatherTech, também tem fama de demolidor.
Ele pagou US$ 55,5 milhões por uma mansão inacabada ao lado de um terreno que já era dele. Derrubou a casa e vendeu os dois terrenos por US$ 105 milhões neste ano, segundo o WSJ.
Em julho, ele demoliu uma casa finalizada em 2004 e comprada por US$ 36 milhões com cerca de 836 m², ao lado de sua residência. No lugar, planeja construir uma academia privativa e uma área verde.
Com a chegada de novos e ricos moradores à Flórida, o mercado já começou a se adaptar. Corretores passaram a vender mansões como teardowns – termo usado para terrenos com casas a serem demolidas –, usando AI para mostrar como ficaria o terreno vazio.
Entre os imóveis atualmente listados como teardown, está a casa onde morava o incorporador Murray Goodman, construída na década de 1980 e atualmente avaliada em US$ 185 milhões, que, mesmo em bom estado, deve ser demolida.
Larry Ellison – novo dono da Warner Bros. e da Paramount – também recolocou no mercado, por US$ 165 milhões, sua casa dos anos 1990 em North Palm Beach, também anunciada como teardown.
Apesar do movimento melhorar o uso de terrenos escassos em bairros valorizados, o custo ambiental dos teardown preocupa.
A consultoria WAP Sustainability calcula que trocar uma casa de 929 m² por outra de 2.787 m² tem uma pegada de carbono equivalente ao consumo de energia de cerca de 250 residências americanas médias em um ano.




