Este palacete já foi a casa dos Assad e dos Jafet. Agora, busca um inquilino

Este palacete já foi a casa dos Assad e dos Jafet. Agora, busca um inquilino
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Um palacete centenário ligado a duas famílias tradicionais da comunidade libanesa de São Paulo – os Assad e os Jafet – está de volta ao mercado.

Vizinho do Museu do Ipiranga, o palacete Michel Assad (nome do empresário libanês que ordenou a construção) quase foi alugado em 2023 como um espaço de eventos pela Casa Zabeu, de casamentos, mas a empresa acabou preferindo outro imóvel com menos restrições arquitetônicas e maior liberdade de adequação às festas.

Agora, a família Assad está tentando encontrar um novo inquilino comercial, e voltou a anunciá-lo. A pedida é de R$ 46 mil por mês para um espaço de 1,9 mil metros quadrados, dos quais mil m² de área construída e o restante para o jardim. O IPTU anual é de R$ 82,5 mil.

O palacete de estilo neoclássico foi construído em 1924 no Ipiranga porque era o bairro que concentrava os negócios de Michel Assad, entre comércios e fábricas.

Ao todo, foram 22 palacetes erguidos em torno do museu e do Parque Independência – imóveis que abrigavam também uma outra família libanesa que se conectou aos Assad por meio de casamentos: a irmã de Michel se casou com um Jafet, e depois a única filha de Michel também se casou com outro Jafet.

Foi assim que as residências acabaram ficando conhecidas como os Casarões dos Jafet.

A maioria, porém, já foi demolida. Além do palacete Michel Assad, sobraram outros cinco no bairro, todos tombados pela Prefeitura. Dois deles viraram casas de festas e um terceiro se tornou uma escola, bem ao lado do palacete agora posto para locação.

Os Assad e os Jafet deixaram de morar no palacete em 1970, quando as famílias começaram a se mudar para o Jardins. Depois disso, o local foi usado por duas décadas para escritórios de negócios dos Jafet.

Hoje, a família Jafet não é dona de nenhuma das construções restantes. Já a família Assad ainda tem o palacete Michel Assad e o palacete Chucri Assad – o que virou escola.

O palacete Michel Assad voltou ao mercado por iniciativa de uma das netas de Michel, que procurou a corretora Refúgios Urbanos para ajudá-la, depois de ter participado de um passeio que a empresa promoveu pelo bairro e que incluiu o palacete no roteiro.

Para a Refúgios Urbanos, o anúncio de locação do palacete é uma exceção: a empresa só trabalha com vendas e no segmento residencial.

Mas o sócio Octavio Pontedura, da Refúgios Urbanos, diz que a corretora topou o anúncio porque gosta de trabalhar com imóveis históricos e com arquitetura, raros de encontrar.

“São poucas as casas que sobraram ali no bairro,” ele disse ao Metro Quadrado.

Ele diz, porém, que é difícil encontrar inquilinos para um imóvel como esse.

“O custo tributário é extremamente alto, porque são lotes enormes, e nem sempre as famílias se preocupam muito com a preservação histórica e arquitetônica desses bens.”

Uma opção para os Assad seria a venda do imóvel, mas a alternativa está fora de cogitação, segundo uma pessoa próxima à família.

“A preservação do palacete representa um elo com a história e memória dos Assad e dos Jafet, imigrantes libaneses. E também é um ato de cuidado, demonstrando respeito pela herança e identidade familiar,” ela disse.

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