HSI quer despejar Casas Bahia de galpões após calote em FII

HSI quer despejar Casas Bahia de galpões após calote em FII
Larissa Vitória |

Após tomar um calote, a HSI quer despejar as Casas Bahia de dois imóveis que estão no portfólio de seu fundo imobiliário de logística, o HSLG11.

O FII entrou com uma ação judicial contra a varejista, que loca um galpão do fundo em São José dos Pinhais, no Paraná, e outro em Contagem, Minas Gerais, e deixou de pagar os aluguéis em meio à crise que levou a um pedido de recuperação judicial.

A companhia chegou a quitar cerca de R$ 2 milhões que ficou devendo ao FII em agosto, quando pediu a RJ, mas voltou a entrar em inadimplência neste mês ao deixar de pagar os aluguéis de setembro, que venceram na semana passada.

A dívida é de R$ 4,3 milhões, segundo o HSLG11, que ajuizou a ação de despejo no dia seguinte ao vencimento do aluguel.

A gestora diz que, por se tratar de um crédito contraído depois do pedido de RJ, o valor é de natureza extraconcursal – ou seja, não está sujeito aos efeitos da RJ.

Ainda assim, a notícia de que o fundo teve que recorrer à Justiça repercutiu negativamente no mercado secundário – as cotas registraram queda de até 4% mais cedo e fecharam o pregão com um recuo de 0,8%.

Parte do pessimismo se deve ao tamanho da exposição do HSLG11 ao problema: a Casas Bahia é a maior locatária individual do portfólio, respondendo por 31% da receita contratada.

Mas retomar os imóveis e colocá-los de volta no mercado pode se transformar em uma oportunidade para o FII, na visão de um analista ouvido pelo Metro Quadrado logo após a Casas Bahia pedir a RJ.

“A empresa paga um aluguel abaixo da média de mercado e os ativos são bem localizados, então o fundo poderia buscar outro inquilino com melhor saúde financeira e operacional,” disse o analista na ocasião.

A gestão também está confiante nas perspectivas de recolocação de imóveis graças ao momento favorável que vive o mercado logístico.

Em Contagem, por exemplo, a vacância está em 9,5% e a absorção líquida foi de 100 mil m² no primeiro semestre – um valor quase recorde para o ano registrado em apenas seis meses. 

Já em São José dos Pinhais, a vacância é ainda menor, de 5,9% – um dos menores níveis da série histórica –, e o aluguel está em R$ 33,70 por m², na média, um patamar 75% acima do praticado no contrato do fundo com a Casas Bahia.

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