A construção civil tem crescido em ritmo mais lento no Brasil, mas um dos maiores atacarejos de materiais para obras está dando de ombros.
Focada nas classes C e D, a Obramax aposta na pujança do Minha Casa Minha Vida e no mercado de reformas para expandir a sua rede nos próximos anos, chegando inclusive a estados onde ainda não atua.
A companhia, que faz parte do grupo francês Adeo – também dono da Leroy Merlin –, pretende investir R$ 3,5 bilhões até 2028 para ampliar em pelo menos 50% o número de lojas, com uma estratégia baseada em preços baixos, sacrificando margens, para tomar o espaço dos milhares de depósitos de bairro que ainda suprem a maior parte da demanda.
Segundo a Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção, há cerca de 153 mil lojas do segmento no País, em que 67% são unidades pequenas com até quatro funcionários.
Já a Obramax conta hoje com 16 lojas e pretende abrir de oito a 10 unidades nos próximos três anos, chegando a 20 ainda neste ano.

“Nós conquistamos cota de mercado em detrimento de outros players, pois a nossa proposta de um grande sortimento de produtos a um preço extremamente acessível tem atraído um público cada vez mais amplo,” Michael Reins, cofundador e CEO da Obramax no Brasil, disse ao Metro Quadrado.
A companhia está presente principalmente no Sudeste, mas tem ambições nacionais. Neste ano, inaugurou suas primeiras unidades no Sul e no Centro-Oeste.
Os depósitos de bairro ainda cumprem a função de atender ao público local, mas uma loja de grande porte como as da Obramax – que costumam ter de 17 a 18 mil metros quadrados – consegue suprir o mercado de forma mais completa, ágil e barata, diz o CEO.
Um dos trunfos é o leque de 15 mil produtos a pronta entrega. Quem compra até as 15h, por exemplo, recebe o material no dia seguinte.
As vendas cresceram 18% neste ano considerando as mesmas lojas e perto de 50% com as novas unidades na conta, apesar da alta dos preços no setor, que tem levado à redução das margens.
“A inflação é uma faca de dois gumes. Se repasso os aumentos, consigo recompor as margens, mas pode ser que iniba o consumidor a adiar ou gastar menos em suas obras,” disse Reins.
A companhia atende principalmente os profissionais da construção civil de pequeno e médio porte, incluindo os autônomos e empresas de reforma, manutenção e instalação com até 10 funcionários.
Por focar nas classes C e D, com a venda de materiais que vão da fundação ao acabamento das obras, a Obramax se diferencia da outra rede do grupo, a Leroy Merlin, que se dedica às classes A e B e oferece também produtos de jardinagem, decoração e organização da casa.
A companhia abriu sua primeira loja no Brasil em 2018 na Mooca, em São Paulo, já como parte do grupo francês, e cresceu a passos moderados até acelerar a expansão neste ano, com a abertura de quatro lojas até agora e outras quatro programadas até dezembro.
O investimento previsto de R$ 3,5 bilhões até 2028 se divide em R$ 1,9 bilhão para infraestrutura, equipamentos, máquinas e tecnologia, e R$ 1,6 bilhão para imóveis destinados às lojas.




