Lançamentos batem recorde – e MCMV já é mais da metade

Os lançamentos de imóveis residenciais bateram um novo recorde no Brasil.
O ano passado terminou com 453 mil unidades lançadas, uma alta de 10,6% em relação a 2024, segundo a CBIC.
O mercado foi impulsionado principalmente pelo Minha Casa Minha Vida, que na reta final de 2025 superou pela primeira vez a metade do volume lançado.
No quarto tri, o mercado como um todo lançou 133,8 mil unidades no quarto tri, também o maior número já visto para o período, e 6,4% acima do resultado alcançado no quarto tri do ano anterior.
O MCMV correspondeu a 52% dos lançamentos registrados nos últimos três meses de 2025. Em igual intervalo do ano anterior, eram 47%.
“O cliente do Minha Casa Minha Vida continua comprando, porque a demanda é quase infinita,” disse Fábio Araújo, sócio-diretor da consultoria Brain, a responsável por desenvolver a pesquisa para a CBIC.
Com os juros altos travando a demanda da classe média, o segmento econômico virou uma das principais apostas das incorporadoras para seguir vendendo, atraindo inclusive as empresas que não tinham experiência no programa.
Além disso, o próprio governo tomou medidas para ampliar o alcance do MCMV, criando a Faixa 4, que incluiu famílias com renda entre R$ 8 mil e R$ 12 mil na compra de imóveis de até R$ 500 mil.
Foi na região Norte onde o MCMV teve o seu resultado mais relevante, ao representar quase 70% das unidades lançadas no quarto trimestre.
Já o Sul ficou com a menor fatia – 38% – por ser a região com a renda média mais alta do País.
“Em Florianópolis, não existe Minha Casa Minha Vida. Porto Alegre começou a dar uma melhorada, mas se nós formos comparar com São Paulo, ainda é baixo,” disse Fábio.
Ainda segundo a CBIC, o VGV total do mercado caiu 4,4% no quarto tri, para R$ 67,2 bilhões. Já no ano inteiro, cresceu 3,5%, somando R$ 264,2 bilhões.
As vendas, assim como os lançamentos, também bateram recorde em 2025, mas com um crescimento menor, a um ritmo de 5,4%. No MCMV, o número cresceu 15,9%.
O programa respondeu por cerca de 46% das vendas imobiliárias no País no ano passado, com 196,8 mil unidades comercializadas de um total de 426,2 mil.
No quarto trimestre, 53 mil das 109,4 mil unidades vendidas no País foram do programa, o equivalente a 49%.
O setor agora aguarda novos ajustes no desenho do programa para ampliar ainda mais o alcance em 2026.
“Nós temos a expectativa de um aumento do valor de renda das faixas do programa, o que certamente vai inserir mais pessoas no segmento,” disse Fernando Guedes, o presidente-executivo da CBIC.







