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Paisagens deslumbrantes, clima ensolarado e impostos baixos – tudo isso em uma das regiões que mais crescem nos Estados Unidos.
Não à toa, cidades como Fort Lauderdale, Pompano e Hillsboro, localizadas no sul do estado da Flórida, estão se tornando um destino cada vez mais comum para endinheirados de todo o mundo.
Mas eles não estão turistando: eles estão querendo morar por lá.
Como a capital Miami tem visto um crescimento acelerado dos preços, as cidades vizinhas – que têm a mesma qualidade de praia e clima – têm apresentado novas oportunidades.
Essa é a grande aposta da Related Group, a desenvolvedora fundada pelo mega investidor Jorge M. Pérez e que ajudou a construir todo o skyline de Miami – algo que está repetindo no Sul da Flórida.
Com mais de 120 mil unidades já entregues, a companhia se tornou sinônimo de construção de alto padrão na região, combinando escala, integração vertical e uma leitura rara das dinâmicas locais. O foco continua sendo o mercado de luxo – e é nele que a Related construiu uma reputação que atrai tanto compradores domésticos quanto internacionais.
A empresa hoje desenvolve 7.000 unidades no segmento de condomínios e empreendimentos de uso misto, totalizando um pipeline de US$ 16 bilhões, distribuído por Brickell, Downtown, Fisher Island, Fort Lauderdale, Hillsboro Beach e Pompano Beach.
A escolha por essas cidades não é por acaso.
O Sul da Flórida tem atraído cerca de um terço dos quase 1.400 novos residentes que o estado recebe por dia, segundo dados do censo americano – um número recorde. Detalhe: a grande maioria dos migrantes é formada por americanos.
“As pessoas estão vindo para cá e estão precisando de um teto. E a Related têm o conhecimento de cada rua e de cada terreno da região,” disse Craig Studnicky, CEO da Related ISG.
Esse movimento migratório faz parte de uma transformação profunda pela qual o estado passou nas últimas duas décadas. Com uma forte política de segurança pública, os índices de violência na Flórida estão nos menores níveis desde 1967.
Além disso, houve uma migração da empresas para a região, impulsionada pela ausência de imposto estadual. Para se ter uma ideia, somente no período pós-pandemia, cerca de 200 companhias listadas na Fortune 500 instalaram escritórios no estado. Ou seja, a Flórida se tornou uma espécie de powerhouse global.
O exemplo mais marcante foi a migração da Citadel, um dos maiores hedge funds dos EUA, de Chicago para Miami em 2022.
“Mais de US$ 3 trilhões em patrimônio de famílias foram transferidos para a região desde a pandemia,” disse Craig.
Mas esse fato impactou fortemente o mercado imobiliário da capital da Flórida.
“Miami viu os preços dobrarem desde a pandemia, de cerca de US$ 33 mil por metro quadrado para US$ 65 mil. Em Pompano (foto abaixo), por exemplo, chegamos a ver espaços pela metade do preço com a mesma praia, a mesma água e o mesmo clima,” disse Craig.

Além disso, o Sul da Flórida se tornou uma das poucas regiões do mundo capazes de oferecer múltiplos estilos de vida dentro de um mesmo corredor urbano.
Brickell, por exemplo, concentra o ritmo urbano de uma metrópole financeira; Miami Beach entrega o resort lifestyle clássico, com praia e serviços; Wynwood traduz o lado mais artístico e contemporâneo da cidade; já Fort Lauderdale, Pompano e Hillsboro combinam luxo à beira-mar com uma atmosfera mais tranquila.
No topo da escala, Fisher Island representa talvez o endereço mais exclusivo dos EUA, com acesso controlado e um nível de privacidade raro até para padrões globais. Essa diversidade, na visão de Craig, é crucial: permite que cada comprador – brasileiro, americano ou europeu – encontre o bairro que melhor espelha seu estilo de vida.
Com isso, o mercado imobiliário ficou em polvorosa – e a demanda por novos empreendimentos disparou, especialmente após o desabamento do edifício Champlain Towers. Após o desastre, o governo da Flórida criou exigências rigorosas (e caras) para condomínios mais antigos.
Resultado: muitos imóveis antigos estão encalhando e perdendo espaço para os empreendimentos mais novos. Para se ter uma ideia, 74% dos condomínios do estoque atual na região têm mais de 30 anos – justamente os mais afetados pelas novas exigências de reparos.
Atração de brasileiros
Segundo Craig, a relação dos brasileiros com a Flórida já é antiga. Por isso, a Related conhece bem esse tipo de cliente.
“O romance entre o Brasil e Miami existe antes de eu nascer”, disse. “Mas agora há fatores adicionais: a preocupação com o real e o medo de perda de patrimônio. Quem tem recursos quer proteção – e os EUA oferecem isso.
A principal aposta da empresa para o público do Brasil é uma coleção robusta de branded residences.
Craig disse que marcas como St. Regis, Baccarat, Casa Bella, Waldorf Astoria e Rosewood refletem o apetite do público global por empreendimentos com serviços de hospitalidade, curadoria arquitetônica e padronização de alto nível – algo que os brasileiros adoram.
O executivo aponta também que o timing de compra é o melhor possível. Após uma retração da inflação, o Federal Reserve decidiu iniciar um movimento de corte de juros recentemente.
“Quando os juros caem, os preços sobem. Isso sempre acontece. Então, sim, a oportunidade é agora,” disse.




