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Existem incorporadoras que constroem prédios – e existem aqueles que constroem ecossistemas. Rodrigo Carvalho, CEO da Haute Brasil, pertence ao segundo grupo.
Membro do GRI Institute e líder do REthink GRI, Carvalho arquitetou algo raro no mercado imobiliário brasileiro: uma operação que funciona com projetos autorais em Teresina e uma plataforma de captação no mercado de capitais paulista.
Resultado: a primeira tokenização imobiliária do País, no valor de R$ 54 milhões.
O projeto, que começou em Teresina, foi validado por fundos imobiliários e chamou a atenção do mercado de capitais. Com isso, a Haute teve um aporte da Holding RFCP e ampliou sua estrutura com R$ 50 milhões em capital social.
Quando a Haute iniciou operações em 2021, Teresina apresentava um paradoxo típico de capitais de médio porte: demanda reprimida por produtos sofisticados, mas oferta estagnada em padrões defasados.

A estratégia não foi competir no mesmo patamar. Foi criar um novo.
“Nosso intuito era sempre mudar e elevar o nível do mercado imobiliário de Teresina,” disse ele. “A Haute mudou esse panorama do mercado – conseguimos fazer até a concorrência acordar para isso também.”
O que exatamente diferencia um projeto Haute? Carvalho detalha o processo de curadoria, que se tornou sua assinatura.
Ele explica que começa o desenvolvimento de um produto já sabendo quais serão os diferenciais. A partir daí, traz inspirações colhidas pessoalmente de empreendimentos ao redor do Brasil e do mundo.
Um exemplo são os brises – elementos arquitetônicos de controle solar – do Amana Residence.
Segundo ele, em uma cidade intertropical como Teresina ninguém tinha pensado em formas de diminuir a incidência solar, preservando a ventilação.
“Brises em fachadas de prédios já são vistos em diversas outras capitais do Brasil, sempre com essa justificativa, mas não eram comuns em Teresina,” disse Carvalho. “Os Brises do Amana, tive a ideia ao visitar um empreendimento em Dubai e ao me reunir com arquitetos de lá, que me direcionaram para uma visita na fábrica na Holanda.”
Carvalho também quer resolver outro problema de Teresina: muitos empreendimentos atrasam por questões documentais.
Segundo ele, até empresas com vasto conhecimento do setor chegam em Teresina e encontram muitos entraves burocráticos. E a Haute não foi uma exceção.
“Foi uma das dores que também sofremos no início. A transição dos cartórios aconteceu bem no momento do nosso primeiro empreendimento,” disse
Mas a Haute foi atrás da solução: estruturação jurídica especializada. A companhia passou a se especializar nessa área e foi atrás dos escritórios de Berto Caballero e Bruno Rocha, especialistas no mercado imobiliário.
“A Haute desenvolveu soluções que ainda estavam estagnadas. Documentação rápida significa funding rápido, que por sua vez reflete em obra rápida. Do contrário, todo o mercado patina,” disse.
Governança é outro pilar da Haute. Todos os empreendimentos da companhia possuem Registro de Incorporação Imobiliária, Patrimônio de Afetação e Funding Garantido – algo fundamental para ter previsibilidade de construção e financiamento.
“Um empreendimento com patrimônio de afetação é um empreendimento que tem garantia de entrega – todo o dinheiro aportado ali dentro vai para a obra,” disse.
Apesar das conquistas, Carvalho é enfático: Teresina ainda está no início de sua transformação.
Um de seus focos está no H Teresina, um empreendimento que tem uma solução trazida de Miami: um projeto Sênior Living, já consolidado na Europa e tendência que começa a ganhar tração nos Estados Unidos.
Para completar, a Haute está investindo R$ 500 milhões no Aura The Club, com parcerias estratégicas já montadas. O modelo de empreendimento funciona como eixo estruturante, isto é, a partir dele surgem oportunidades de negócio no entorno, como shopping, residencial, moradia tradicional e short stay. Tudo integrado, como um clube de lazer.
Agora, a Haute quer conquistar o mercado imobiliário de São Paulo – e também chamar ainda mais a atenção dos investidores.
Segundo Carvalho, investidores convidaram a Haute para levar suas teses e empreendimentos para investidores. “Por ter sido pioneira em vários quesitos nas captações, os próprios fundos imobiliários nos convidaram para empreender em São Paulo.”
A incorporadora chamou a atenção: captou R$ 54 milhões tokenizados – a primeira tokenização de um CRI no Brasil foi fora do eixo Rio – São Paulo.
Segundo Carvalho, isso aconteceu por causa da capacidade da Haute de executar algo que o mercado classificou como impossível.
Com a chancela do mercado, Carvalho quer acelerar em São Paulo: construir cinco prédios por ano em 2026 e 2027.
Para isso, o incorporador se apoia em duas teses. A primeira é levar o nome Haute para os bairros nobres de São Paulo.
“Estamos falando de Jardins, Itaim, Vila Olímpia, Moema, Vila Nova Conceição, Pinheiros, Ibirapuera, Vila Mariana, Brooklin. Muito bem localizados e com bastante valor agregado,” disse.
Já a segunda é conquistar o interior paulista com a bandeira VIVAX by Haute, para atacar especialmente as faixas mais altas do Minha Casa Minha Vida.
“Iremos ‘gourmetizar’ uma linha com ticket de até R$ 500 mil,” disse.
O timing macro traz confiança a Carvalho. Como o mercado espera que a Selic chegue a 12% ao fim do ano, isso deve incentivar as compras da classe média – o público que a Haute quer alcançar.
Para aproveitar essa oportunidade, a Haute está sendo estruturada abaixo da Holding RFCP, com capital social de R$ 50 milhões desenhada em conjunto com fundos imobiliários para conduzir a próxima fase de expansão da incorporadora.
“Isso se traduz em capital de giro, capacidade de negociação de terrenos com funding já estruturado e, consequentemente, velocidade de expansão,” disse Carvalho.
Segundo ele, a Haute, sendo parte da Holding RFCP, opera com respaldo financeiro para executar sua estratégia de microrregionalização no eixo São Paulo e Teresina.
“Foram R$ 400 milhões até aqui e, agora, nos preparamos para R$ 2 bilhões em 2026 e 2027,” disse.




