Motiva faz retrofit na Linha 4 e quer as estações como mini malls

As estações Pinheiros e Faria Lima da Linha 4 do metrô de São Paulo estão de cara nova – e há uma estratégia por trás.
A Motiva, responsável pela concessão, acaba de fazer um retrofit e um rebranding das duas estações – com mudanças visuais e físicas – para dar destaque à sua marca e potencialmente ampliar receitas.
A companhia, antes conhecida como CCR, usava até então o nome ViaQuatro na operação da Linha Amarela do metrô. Agora, investiu quase R$ 60 milhões para colocar seu (já não tão novo) nome e estilo nessas instalações e expandir suas áreas comerciais.
Após as intervenções, que reorganizaram o uso do espaço, a área bruta locável na Faria Lima dobrou de 85 m² para 170 m². Em Pinheiros, passou de 160 m² para 280 m².

As medidas fazem parte dos planos do CEO Miguel Setas de reposicionar o grupo e transformá-lo em uma concessionária de infraestrutura com uma cultura mais voltada ao cliente.
“Temos essa estratégia de que as estações sejam um ‘centro’. Que as pessoas possam se deslocar mas também ‘viver’ nas estações, no sentido de fazerem lá suas compras, sua farmácia, ter serviços que facilitem seu cotidiano,” João Pita, o diretor comercial da plataforma de trilhos da Motiva, disse ao Metro Quadrado.
“Com as lojas trocando de lugar, ganhando outra dimensão, outra iluminação, houve uma valorização do metro quadrado, além da ampliação da área comercial. Então esses dois fatores impactam diretamente em receita,” disse Maurício Tortosa, o diretor de experiência do cliente.
A Motiva promoveu pesquisas para entender quais tipos de produtos e serviços eram mais demandados pelos usuários do metrô, e agora está prospectando marcas para expandir a oferta de operações de varejo e o faturamento nas estações.
Esse potencial de exploração comercial viabiliza financeiramente o projeto do retrofit, um capex feito pela Motiva fora das obrigações contratuais.
Na Linha 4, a Motiva pode capturar os ganhos de receita até atingir um “gatilho” definido no contrato de concessão, a partir do qual começa a haver um compartilhamento com o Poder Concedente, o Governo de São Paulo.
A companhia está iniciando um período de testes e acompanhamento dos resultados em Pinheiros e na Faria Lima, mas já estuda levar os retrofits e ampliações comerciais para outras estações.
No momento, a Motiva está investindo R$ 4 bilhões na ampliação da Linha 4 até Taboão da Serra (orçamento 75% do poder público e 25% da empresa) com a construção de duas novas estações que “muito provavelmente” já virão com esses novos conceitos, disse Pita.
Desde o início da operação da Linha 4, em 2010, a Motiva já aportou mais de R$ 1,5 bilhão na concessão, que segundo a empresa é a mais bem avaliada do sistema metroviário paulista.
Até o final de junho, Setas pretende concluir o rebranding em todas estações e equipamentos da Linha Amarela, colocando a marca Motiva no lugar da antiga ViaQuatro.
A companhia passou a se chamar Motiva em 2025, consolidando uma transformação organizacional iniciada em 2023, com a posse de Setas como CEO.
Um veterano executivo de indústrias reguladas, com passagens por grupos como Vodafone, Galp e EDP, Setas foi escolhido CEO após a Itaúsa e o Grupo Votorantim comprarem a parte da Andrade Gutierrez na empresa.
A Motiva vale R$ 31,7 bilhões na Bolsa. A ação acumula alta de 40% em 12 meses.







