PUNTA DEL ESTE – No principal balneário do Uruguai, há uma onda de novos projetos de branded residences chegando à cidade, e com participação do Brasil dos dois lados da mesa – na compra e na venda.
Marcas como Fasano, Cipriani e SLS se espalham pelas ruas em cartazes de empreendimentos de luxo que buscam surfar o aumento do interesse de estrangeiros por Punta Del Este, incluindo brasileiros.
Uma particularidade dos brandeds de Punta em comparação ao que se vê no Brasil é a aposta no esporte. São projetos que atraíram marcas ligadas ao golfe e ao polo, este último em alta no Uruguai depois que o país facilitou a importação de cavalos.
A nova oferta tenta dar conta da expansão de moradores na cidade no pós-pandemia e da maior procura por uma segunda residência que também entregue algum rendimento aos compradores.
Nos projetos com marcas de hotelaria, por exemplo, há a possibilidade de o comprador deixar com a administradora do hotel a gestão dos aluguéis para turistas durante o período em que estiver fora.
Um deles é o SLS Punta del Este, na Playa Brava, que traz a marca de hotéis da Accor para um conjunto de duas torres, de 24 andares cada, com hotel e moradias. As unidades partem de US$ 313 mil (68 m²).
Até agora, a maior parte dos compradores – 37% –, é do Brasil.

“Está vindo agora uma onda de brasileiros, como foi a dos argentinos,” Alejandro Gineva, o presidente do GNV Group, que constrói as torres, disse ao Metro Quadrado.
As vendas estão sendo feitas no Brasil pela Coelho da Fonseca, e a entrega do primeiro edifício está marcada para o começo de 2029.
“Vendemos bastante para casais na faixa dos 40 anos,” o co-CEO Alvaro Marco Coelho da Fonseca afirmou ao Metro Quadrado.
A Coelho também é uma das comercializadoras de outro projeto em Punta, da Cipriani, voltado ao alto luxo, cujas unidades custam a partir de US$ 2 milhões.
O conjunto, também na Playa Brava, é opção para interessados em obter a residência fiscal no Uruguai. Quem compra um imóvel no país com valor a partir de US$ 2,5 milhões tem direito a se registrar como residente, sem precisar morar lá.
O novo Cipriani, no entanto, é alvo de polêmica por sua altura. A proposta atual prevê três torres brancas, junto ao antigo hotel San Rafael, que foi demolido e reconstruído.
A torre 1, que está sendo erguida, terá 260 metros e 55 andares, em uma área em que os edifícios atuais não passam de 85 metros.
Além dela, estão previstos outros dois edifícios, de 170 e 320 metros. Esse último será o prédio mais alto do país.
“Não gostamos muito da altura, mas era a maneira de o investidor tornar rentável o que estava propondo,” o prefeito Javier Carballal disse ao Metro Quadrado. “Foi uma exceção.”
Para ele, os novos brandeds serão um marco na história da cidade e aumentarão a atratividade internacional, apesar das queixas.

“Como todo ícone, no começo as pessoas não gostam. Quando fizeram a Torre Eiffel, queriam derrubá-la no dia seguinte.”
Na Playa Mansa, há outro projeto com participação brasileira. A JHSF comprou, em abril, o hotel e cassino Enjoy por US$ 160 milhões e deu início a uma ampla reforma. O hotel passará a se chamar Fasano Península.
O conjunto terá também um shopping, chamado Cidade Jardim Punta, com 50 espaços comerciais, além de um teatro para 500 espectadores.
A primeira etapa de entregas está prevista para este verão e inclui a abertura de dois restaurantes Fasano. Outras entregas serão feitas em 2027 e a construção das residências ficará para uma terceira fase.
Nos três casos, os serviços de hotelaria e as áreas comuns são atrativos em destaque.
“Os edifícios de hoje possuem muito mais amenidades e espaços de convivência,” Gonzalo Platero, o arquiteto do SLS Punta, disse ao Metro Quadrado.
“Hoje as pessoas vivem mais sozinhas, as unidades estão menores, e o cliente busca a socialização em espaços semi-privados,” disse.
Para quem prefere interagir e passar mais tempo ao ar livre, há vários bairros fechados em construção em Punta e em seus arredores, parte deles ligados ao esporte.
A lista inclui o condomínio Nido, que terá a primeira piscina de ondas artificiais para surf no Uruguai, o Manantiales Golf, com um campo de 27 buracos, e dois projetos ligados ao polo, chamados La Dolfina e Punta Polo.
A maior importação de cavalos de polo no país estimulou a criação de condomínios com campos para o esporte, especialmente voltados aos argentinos.
“Vem aí uma onda de polo,” diz Ginevra, do GNV Group.
O incremento em Punta no número de construções e de população após a pandemia foi puxado pelo aumento do trabalho remoto e pela migração de moradores de Montevidéu.
Hoje, há cerca de 14 mil habitantes fixos na cidade de Punta, e mais 6 mil nos municípios vizinhos, nas contas da Prefeitura, que celebra o avanço, mas quer ordenar melhor o crescimento.
“Se não, nos transformamos em Miami ou em Nova York, e seguramente nossos atrativos são a natureza, a amizade, a família,” disse o prefeito.




