Três tendências para a arquitetura do próximo quarto de século (que começa agora) 

Três tendências para a arquitetura do próximo quarto de século (que começa agora) 
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O primeiro quarto do século 21 ficou para trás, e em 2026 se inicia o próximo ciclo de 25 anos.

O Metro Quadrado conversou com arquitetos de dois dos maiores escritórios do País, o aflalo/gasperini e o FGMF, para ouvir o que deve orientar os projetos nos próximos anos no Brasil, e eles apontaram três tendências:

1. Foco no bem-estar

A primeira delas é um legado da pandemia. A maior atenção ao bem-estar de moradores e usuários de imóveis corporativos deve continuar e ganhar tração em todas as faixas do mercado.

Roberto Aflalo Filho, sócio do aflalo/gasperini, diz que a Covid-19 ainda reverbera no desenvolvimento imobiliário, borrando as fronteiras entre o trabalho e a casa, mas deixando uma mensagem clara: qualidade de vida.

“Nós estamos fazendo casas com cara de escritório e escritórios com cara de casa,” disse Roberto.

Grazzieli Gomes, sócia-diretora do escritório, adiciona que os novos projetos – especialmente no segmento corporativo – devem ampliar as áreas dedicadas à descompressão, para atrair os funcionários num momento de retomada mais intensa do trabalho presencial.

2. Adaptar-se à industrialização

Um movimento ainda tímido no Brasil, a industrialização da construção civil já ganhou tração em mercados como os Estados Unidos e a China no pós-pandemia.

No mercado brasileiro, as discussões sobre o tema ganham força em razão da pressão sobre os custos de obra e da escassez de mão de obra especializada. 

Segundo Grazzieli, novos formatos estruturais começam a aparecer nos estudos de viabilidade, a pedido dos clientes. “Os incorporadores estão discutindo a industrialização por um único motivo: a redução de custos,” disse a arquiteta.

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O setor vê também na industrialização uma oportunidade para mitigar os impactos do aumento de custos decorrentes da reforma tributária e do fim do Regime Especial de Tributação (RET).

A partir de 2026, o País entra na fase de transição da reforma, que será consolidada em 2030, quando o RET será substituído por uma nova alíquota – ainda não definida pelo governo federal.

“Temos começado a ver projetos com outros tipos de estrutura, seja metálica, de madeira ou pré-moldada de concreto. O incorporador pode escolher esse novo modelo pensando em redução real de custo na obra,” disse Luis Felipe Herman, sócio do aflalo/gasperini. 

Além da reforma e da escassez de mão de obra, a transição para um modelo mais industrializado deve abrir novas frentes para a arquitetura voltada à sustentabilidade e à eficiência energética, diz Fernando Forte, sócio do escritório FGMF.

“Não será um ciclo curto, mas vai aproximar a indústria da arquitetura e da construção civil nessa discussão dos green buildings. Será uma mudança feita na marra, no fórceps, como tudo que acontece nesse mercado,” ele disse.

3. Mais brasilidade

Do ponto de vista do design, Fernando acredita que os próximos anos serão marcados por menos projetos inspirados em estilos tradicionais – como neoclássico, mediterrâneo, colonial ou Art Déco – e por mais assinaturas locais, com arquitetos contemporâneos e uma identidade mais brasileira.

“A arquitetura precisa parar de se apegar a modismos. Não dá mais para fazer esses projetos onde o prédio imita um palacete francês, só que fake, de plástico,” diz Fernando. “O mercado brasileiro está cada vez mais maduro e esses modismos estão caindo por terra.”

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