A Accor vai abrir mais hotéis no Brasil. O turista gringo voltou

A Accor está acelerando os investimentos em hotéis no mercado brasileiro, num momento em que o País está surfando uma nova onda de turistas estrangeiros.
A dona de marcas como Ibis, Mercure e Fairmont está preparando a abertura de mais seis hotéis em 2026, que fazem parte de um pacote de 19 novos projetos anunciado no ano passado.
As bandeiras e as cidades ainda não foram definidas, mas a empresa calcula R$ 358 milhões em investimentos e 765 novos leitos.
No ano passado, quando o Brasil bateu recorde de turistas de outros países, com 9,2 milhões de estrangeiros, os hotéis da Accor tiveram uma alta de 37,1% nos hóspedes em relação ao ano anterior.
Thomas Dubaere, o CEO da Accor para as Américas, diz que esse movimento mostra não apenas uma retomada do setor no pós-pandemia, mas também um crescimento estrutural do turismo, tanto corporativo quanto de lazer no mercado brasileiro.

“O Brasil está se promovendo muito melhor para o turista estrangeiro, isso é um fato, o que gera uma atratividade internacional muito maior, acompanhado de um câmbio super favorável,” ele disse ao Metro Quadrado.
Para a expansão, a gigante francesa de hospitality aposta em um modelo de franquias e estima um aporte de R$ 1,015 bilhão em parceria com investidores nacionais e internacionais.
Esse modelo de franquias faz parte do foco em negócios asset light da Accor, em que as operações ficam a cargo da rede, e o capital imobiliário é feito por meio de investidores parceiros.
Dos 19 projetos anunciados no ano passado, 17 serão incorporações greenfield. “Fazia muito tempo que o setor não via isso, projetos sendo construídos do zero, e não apenas sendo transformados,” disse o CEO.
Atualmente, a Accor tem 322 hotéis em operação no Brasil, com um portfólio de marcas dividido entre os segmentos premium e midscale & economy.
Uma das entregas recentes no Brasil foi o TRIBE Belo Horizonte Savassi, que representou a estreia no Brasil da bandeira criada em 2017 na Austrália e que faz parte do segmento midscale.
Além dos hotéis que já estão previstos, a empresa estuda lançar suas bandeiras em endereços brasileiros ligados à natureza e ao ecoturismo, se beneficiando da vocação do País para esse nicho. “Estamos procurando destinos menos óbvios,” disse o CEO, que citou Bonito, no Mato Grosso do Sul, e Foz do Iguaçu, no Paraná, como cidades que estão no radar de expansão.
O Brasil responde por 64% da receita de hospedagem das Américas. A região como um todo viu o RevPAR (receita média por quarto) crescer 10,2% no ano passado e, segundo o CEO, o mercado brasileiro avançou no mesmo ritmo.
Para Thomas, o resultado positivo no Brasil se deve também a uma melhora da infraestrutura, que sempre foi um desafio no País.
“O aumento na conectividade aérea do País – com novas rotas e mais voos diários – é um fator principal, junto com o aumento da promoção do Brasil lá fora.”
No global, o RevPAR teve alta de 4,2%, e a receita total subiu 4,5%, para € 5,639 bilhões.
A rede teve um EBITDA de € 1,2 bilhão, 13% superior ao resultado de 2024.







