A Cyrela não quer mais pagar aluguel

A Cyrela não quer mais pagar aluguel
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Pela primeira vez, a Cyrela vai deixar de pagar aluguel.

A incorporadora fundada há seis décadas por Elie Horn vai transferir sua sede no ano que vem para seu primeiro prédio corporativo próprio, que está em construção e deve ser entregue em agosto de 2026.

Os funcionários – hoje divididos entre dois escritórios alugados, um na Av. Paulista e outro na Vila Olímpia – devem se mudar até novembro para o novo (e dessa vez único) endereço, no cruzamento da Rua Oscar Freire com a Avenida Doutor Arnaldo.

O prédio, desenhado pelo estúdio italiano Pininfarina, terá 22 andares, mas só os seis últimos – com exceção do rooftop – serão ocupados pela incorporadora dos Horn, somando 10,8 mil metros quadrados. Os demais pavimentos serão postos para locação.

Segundo Efraim Horn, CEO da Cyrela e filho do fundador, a mudança de endereço vem para resolver um grande problema: enquanto sua empresa entregava “prédios incríveis”, sua sede continuava nos mesmos “prédios quadrados”. 

Efraim Horn

Logo, os próprios funcionários não tinham contato com um Cyrela “para se inspirarem”.

“A gente precisa estar respirando, recebendo o ar, levando clientes para ver a vista,” disse Efraim. “Se você faz arte, você precisa estar rodeado da sua arte.”

Efraim disse que o próprio Elie colocou no estatuto da Cyrela que a empresa está proibida de vender as seis lajes por 50 anos. O receio: vir uma boa proposta pelo espaço e a Cyrela ficar tentada a aceitar.

“A vida inteira a gente pagou aluguel. Agora que vamos ter um prédio nosso, ele quer garantir que não vamos vender,” disse Efraim. 

“Ele sempre teve um lado muito financeiro e colocou isso nos executivos daqui, então tem receio que a gente leve as lições dele a sério demais.” 

O CEO da Cyrela disse que já há empresas interessadas nos outros 16 andares do prédio, que terá a “melhor vista de São Paulo”, e que esse deve ser o único empreendimento corporativo da incorporadora. 

Como o prédio está na região da Av. Paulista, a mais alta de São Paulo, Efraim diz que o rooftop vai ser um dos pontos mais disputados da capital, seja para eventos, casamentos ou aniversários. 

Ele brinca que do rooftop será possível “sentir o ar gelado de Curitiba,” caso o vento venha do Sul. Já se vier do norte, as pessoas “poderão sentir o cheiro dos cafezais de Minas Gerais”.

Já para o mercado de residenciais, Efraim disse que está “conservadoramente positivo, mas não otimista” com o cenário, que está mais difícil para a classe média, mas ainda encontra uma alta renda resiliente.

Não à toa, a empresa acabou de lançar dois novos empreendimentos de alto padrão na Vila Mariana: o The Palace Royal e o The Palace Oasis, que somam um VGV de mais de R$ 1 bilhão.

Além disso, a incorporadora está para lançar um novo residencial de alto padrão em Pinheiros, na Rua Joaquim Antunes com a Rebouças. Com 210 metros, será o residencial mais alto da cidade, segundo Efraim, e também terá a assinatura da Pininfarina.

Efraim também disse que as vendas da primeira torre do Vista Cyrela Furnished by Armani/Casa, iniciadas há 90 dias, superaram as expectativas. O executivo disse que já foram comercializada 60 unidades, com valor médio de R$ 40 por m² – totalizando R$ 1 bilhão em vendas.

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