American Express fecha o último terreno vazio do World Trade Center

American Express fecha o último terreno vazio do World Trade Center
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O projeto de reconstrução do World Trade Center já tem a sua última peça comercial.

A American Express será a única inquilina do edifício que será erguido no último terreno ainda disponível para escritórios no complexo em construção desde os ataques do 11 de Setembro – viabilizando um projeto que ficou parado por anos devido à baixa demanda das empresas causada pela pandemia.

Com 374 metros de altura, 55 andares e 186 mil metros quadrados de área locável, o 2 WTC terá espaço para 10 mil funcionários e vai compor um complexo que inclui um total de cinco torres de escritórios, uma residencial, um centro de artes, uma estação que conecta de diferentes modais de transporte e o memorial às vítimas.

Além do 2 WTC, o único edifício que falta construir é o residencial (5 WTC).

O mercado de escritórios em Nova York ainda não voltou ao padrão pré-2020, mas há um movimento de migração das grandes empresas do setor financeiro para ativos “trophy”, capazes de atrair talentos e reforçar a cultura corporativa, enquanto os prédios classe B acumulam vacância.

O desenho do 2 WTC – depois de várias versões assinadas por arquitetos estrelados – chegou à configuração final pelas mãos do renomado escritório Foster + Partners, que também assina o 270 Park Avenue, a nova sede do JPMorgan Chase com 423 metros de altura.

O empreendimento será desenvolvido pela Silverstein Properties, a responsável por grande parte da reconstrução do complexo do WTC.

As obras começam na primavera de 2026, e a conclusão está prevista para 2031.

Seguindo o modelo clássico nova-iorquino, acertar uma pré-locação significativa ajuda a destravar a construção, pois dá segurança para captar o financiamento.

Com a American Express como inquilino-âncora, o risco de crédito é drasticamente reduzido, facilitando negociações com bancos e investidores institucionais.

A obra também envolverá negociações contínuas com a proprietária do terreno, a Port Authority of New York and New Jersey, garantindo que o edifício se integre à infraestrutura do complexo e aos interesses urbanos de longo prazo do Lower Manhattan.

Estima-se que o projeto vai custar US$ 3 bilhões para erguer uma torre concebida nos mais altos padrões de eficiência energética, tecnologia embarcada e flexibilidade de layout, atendendo às demandas de empresas para escritórios no pós-pandemia.

Ao optar por ancorar o 2 WTC, a American Express também sinaliza um movimento claro de “flight to quality”.

A empresa, que inaugurou sua primeira sede em 1850, está há 37 anos em sua atual localização, na 200 Vesey Street, que tem a metade da área locável do novo prédio e fica em frente ao complexo do WTC.

Nesse sentido, a nova sede é ainda um statement: a empresa permanece no Lower Manhattan, onde tem raízes históricas, mas em um edifício que projeta futuro, não passado.

No Lower Manhattan, a chegada de funcionários a edifícios novos pode reativar comércio e serviços locais, gerando efeito multiplicador.

O fechamento do último grande lote do WTC também traz um impulso psicológico: projetos retomados sinalizam confiança e fortalecem o mercado.

E ao ocupar o espaço, a American Express ajuda a encerrar simbolicamente um ciclo iniciado em 2001.

A presença de uma instituição financeira global no último lote reforça a narrativa de resiliência de Nova York — e a centralidade da cidade no sistema financeiro internacional.

Na dimensão política, projetos dessa escala envolvem coordenação entre poder público e iniciativa privada. Concluir o complexo demonstra capacidade de execução e continuidade institucional — algo que nem sempre é trivial em empreendimentos de longo prazo.

O projeto também mostra compromisso com sustentabilidade e bem-estar dos colaboradores, algo cada vez mais essencial em escritórios de alto padrão.

Além disso, o design é elegante e marcante, refletindo o talento de Norman Foster, que mais uma vez acerta ao entregar um corporativo classe A com identidade própria, qualidade e inovação tecnológica, assim como em seus outros projetos emblemáticos.

Se o mercado de escritórios vive uma bifurcação entre o obsoleto e o icônico, o 2 WTC deixa claro de que lado as grandes corporações querem estar.

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