Escritórios: Amazon troca a JK por Pinheiros e dobra a área

Escritórios: Amazon troca a JK por Pinheiros e dobra a área
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Um ano depois de ter definido a volta ao regime de trabalho presencial no Brasil, a Amazon escolheu um escritório duas vezes maior em São Paulo para abrigar sua sede no País.

A gigante americana, hoje instalada em uma torre do Complexo JK, fechou com a Kinea para ser o único inquilino de um prédio da gestora que ainda está em construção e será inaugurado no primeiro trimestre do ano que vem, o Biosquare, localizado na Rua Capitão Antônio Rosa, no bairro de Pinheiros.

As negociações foram iniciadas em março do ano passado, o mesmo mês em que a Amazon anunciou o fim do modelo remoto para a operação brasileira.

Na torre do Complexo JK, a Amazon ocupa 19,8 mil metros quadrados, espalhados por 21 conjuntos em 17 andares.

Já no novo edifício da Kinea, serão 39,2 mil m² em 19 andares, do sétimo ao 25º andar, incluindo o rooftop. Do primeiro ao sexto, serão estacionamentos.

A transferência é emblemática porque reforça uma bola que já vem sendo cantada há tempos pelo mercado: os preços altos e a baixa oferta no eixo Faria Lima-JK tendem a empurrar as empresas não financeiras para outras áreas de São Paulo, criando demanda para regiões vizinhas, como Pinheiros.

Em 2020, o contrato da Amazon com a torre do Complexo JK era de R$ 130 por metro quadrado. No fim do ano passado, os empreendimentos da mesma área já cobravam uma média de R$ 256, segundo dados da consultoria Binswanger.

O preço da locação no prédio da Kinea não foi revelado, mas os edifícios mais sofisticados de Pinheiros estão cobrando entre R$ 190 e R$ 200.

E o espaço maior que a Amazon terá não servirá apenas para absorver a volta ao presencial, mas também para comportar a expansão de equipe que a empresa está planejando – algo que seria mais difícil de executar no disputado eixo Faria Lima-JK.

Juliana Sztrajtman ok 1

A operação brasileira, comandada desde o início do ano por Juliana Sztrajtman, tem hoje cerca de 18 mil funcionários. Além do escritório no JK, parte da equipe está em alguns coworkings.

Com a locação do prédio da Kinea, a Amazon capturou o único edifício da área entre Faria Lima e Pinheiros que tinha mais de 25 mil m² disponíveis para um só inquilino, o que ajuda a explicar o fato de a gestora ter conseguido acertar a locação um ano antes da inauguração do prédio.

Ao alugar 39,2 mil m², a Amazon fechou o segundo maior contrato de locação corporativa em São Paulo em 20 anos, perdendo apenas para a Vivo, que locou 45 mil m² no Eco Berrini.

O Biosquare é o mais jovem ativo da carteira do Kinea Renda, um fundo que historicamente investe em prédios prontos, mas que recentemente começou a apostar no desenvolvimento.

O edifício de Pinheiros é apenas o segundo ativo desenvolvido do zero. O primeiro é um galpão logístico feito para a Renner no Rio Grande do Sul, em um contrato de built-to-suit.

“Como o fundo hoje tem um patrimônio de R$ 4,6 bilhões, nós entendemos que havia espaço para assumir um risco maior no desenvolvimento,” o sócio e portfolio manager Alessandro Estevam disse ao Metro Quadrado.

A Kinea apostou em Pinheiros porque o bairro tem uma oferta de transporte público e de serviços que atraem empresas que estão escolhendo seus endereços com um foco maior nos funcionários.

“E se você precisa de uma área grande, Pinheiros desponta como uma opção para quem precisa expandir ou consolidar suas operações em um só lugar,” disse o gestor.

O prédio, que tem lajes de 1,8 mil a 2,6 mil m², conta ainda com uma parte residencial (totalmente isolada da área corporativa, com entradas, elevadores e estacionamentos separados) e uma fachada ativa, valendo-se da lei que prevê o aumento do potencial construtivo para edifícios de uso misto. Todos os apartamentos – estúdios de alto padrão – já foram vendidos.

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