No Raio 30 de SP, o aluguel dos galpões nunca subiu tanto

No Raio 30 de SP, o aluguel dos galpões nunca subiu tanto
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Os proprietários de galpões logísticos de alto padrão em São Paulo nunca subiram tanto o valor da locação.

Um levantamento feito pelo Secovi-SP – em parceria com a CBRE – mostra que o preço médio dos aluguéis no Raio 30 cresceu 20,8% em 2025 entre os imóveis classe A/A+, a maior alta anual da série histórica, e quase duas vezes o avanço de 2024 (11,8%). A média está em R$ 35/m².

A expansão dos operadores logísticos para dar conta da demanda no ecommerce reduziu a oferta disponível – com a taxa de vacância caindo para 7,8%, o menor nível desde 2012 – e gerou “um aumento contínuo no preço médio pedido,” disse o Secovi-SP.

A alta do aluguel também reflete uma maior disposição dos proprietários para chamar os inquilinos para revisar  os contratos em andamento.

Segundo a CBRE, este foi o primeiro ciclo de revisões de contrato que o mercado logístico experimentou no Brasil, com mais força no Raio 30 de São Paulo e com algumas conversas levando a reajustes de 20% a 30% no ano passado, enquanto o mercado paulistano de escritórios já passou por vários ciclos.

Antes, os donos dos galpões acreditavam que chamar revisões poderiam assustar players grandes como a Amazon ou o Mercado Livre, que teriam tamanho suficiente para rejeitar reajustes.

Tanto que, ao longo dos últimos 10 anos, os preços só começaram a subir em 2020, quando a pandemia gerou um boom de demanda pelo ecommerce. Entre 2015 e 2019, os preços médios caíram em todos os anos.

Quem puxou a fila das revisões foram os fundos imobiliários, que passaram a ter um share relevante do mercado de galpões ao longo dos últimos cinco anos, e foram acompanhados pelos empreendedores convencionais.

O mercado avalia que o cenário vai continuar favorável aos proprietários em São Paulo, porque a oferta tende a continuar restrita, em razão da escassez de terrenos para novos projetos no Raio 30 e do custo alto para obter crédito e construir.

Segundo a CBRE, a expectativa é que a oferta cresça em 1,7 milhão de m² em São Paulo em 2026, mais até do que em 2025 (1,2 milhão de m²), mas ainda assim haverá escassez, dado que, só no primeiro trimestre, as locações já estão próximas a 1 milhão de m².

“Com a demanda que existe, o estoque vai continuar baixo, então a perspectiva  é de valorização,” Rodrigo Couto, o diretor de industrial e logística da consultoria no Brasil, disse ao Metro Quadrado.

E com a escassez de terrenos no Raio 30, algumas regiões do Raio 60 estão ganhando atratividade, ele disse.

“Jundiaí, por exemplo, já está voltando a ser um local de desejo, porque o terreno é barato, considerando a distância, e quem antes só olhava para a Cajamar agora já está olhando para lá também.”

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