Nos EUA, o apetite por ativos comerciais estagnou – menos para os data centers

Os data centers devem ser a exceção à falta de apetite do mercado de ativos comerciais dos Estados Unidos em 2026.
Enquanto os gastos com construções de imóveis de segmentos como escritórios, galpões e hotéis devem recuar de 2% a 5%, os data centers vão avançar 23%, segundo estimativas da consultoria americana FMI Corp reportadas pelo The Wall Street Journal.
Com isso, o setor deve representar mais de 6% de todas as construções não residenciais. Esse percentual era de 2% em 2023.
O crescimento ocorre a despeito das altas taxas de juros, o preço elevado dos materiais e a menor disponibilidade de mão de obra, que elevam os custos para o mercado como um todo.
A demanda ainda elevada pelos data centers é puxada por grandes empresas de tecnologia como Amazon, Google e Oracle, que ajudam a fechar a conta, por serem companhias que estão dispostas a investir bilhões nos desenvolvimentos.
“Dinheiro não é problema para eles,” Jay Bowman, um dos sócios da FMI Corp, disse ao WSJ.
Outro fator que impulsiona o setor é a escala dos projetos.
A construção de um data center envolve uma infraestrutura elétrica complexa, incluindo subestações e geradores, e pode custar mais de US$ 1 bilhão, enquanto outros projetos comerciais de grande escala costumam ficar na faixa dos milhões, segundo um executivo do setor.
Os canteiros também empregam milhares de trabalhadores, contra algumas centenas em outros segmentos.
Mas essa exigência maior de mão de obra pode pressionar os prazos de entregas graças à contração geral da força de trabalho americana provocada pelas políticas mais duras de imigração do governo Trump.
Uma pesquisa da Associação Geral de Empreiteiros da América (AGC) com mais de 900 empresas indica que um terço delas já está sentindo o efeito nas operações. E cerca de 25% das companhias relataram ter perdido funcionários em decorrência das leis mais restritas, ainda segundo o WSJ.
Além disso, o tarifaço de Trump também segue pressionando os projetos. Cerca de 40% das empresas disseram ter aumentado seus orçamentos em resposta aos custos maiores com produtos feitos de alumínio, aço, cobre e madeira que precisam ser importados.
A FMI Corp projeta que os custos com construções não-residenciais devem totalizar US$ 844,4 bilhões em 2026. A soma representa uma alta de 0,14% em relação ao ano anterior, sem perda em termos reais.
A consultoria McKinsey estima que o investimento global em data centers deve ultrapassar os US$ 5 trilhões até 2030.
No Brasil, os investimentos em data centers já autorizados pela ONS somavam R$ 90 bilhões ao final do ano passado e a expectativa é que essa cifra ganhe escala nos próximos anos.







