O boom de clubes privados em Nova York

O boom de clubes privados em Nova York
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Os clubes privados estão dando um novo fôlego ao mercado imobiliário de Nova York.

Novos estabelecimentos estão surgindo em Manhattan e no Brooklyn, ocupando espaços de prédios residenciais que ficaram vazios na pandemia e deixando para trás a noção de que só uma elite muito pequena podia ter acesso a esses lugares.

O movimento é um dos fatores que ajudam a explicar a redução na taxa de vacância dos imóveis residenciais, que caiu de 4,3% em 2021, o maior nível em 14 anos, para 1,41% no momento, segundo dados da New York Housing Conference citados pelo The New York Times

Uma das vantagens para os proprietários é atrair inquilinos de longo prazo. Os clubes costumam assinar contratos de locação de 10 a 20 anos, muitas vezes com opções de extensão, além de bancar reformas.

Além disso, a presença dos clubes em residenciais ajuda a valorizar o edifício, atraindo moradores dispostos a pagar mais caro para estarem próximos de espaços e serviços exclusivos, disse o The Real Deal.

E para quem já mora nos prédios, os clubes podem se tornar um fator de retenção, já que a chegada deles pode representar a inclusão de amenidades como  restaurantes, piscinas, saunas e até quadras esportivas.

Quem puxou a fila da nova leva de clubes foi o Zero Bond, instalado em um antigo galpão da Brooks Brothers em outubro de 2020, cinco anos após seus fundadores terem idealizado o local.

Após uma fase de “abre e fecha” no início da pandemia, o clube foi inaugurado de forma definitiva em fevereiro de 2021 e virou um ponto frequentado por influencers como  Bella Hadid e Hailey Bieber, além do ex-prefeito de Nova York Eric Adams.

Nos últimos anos, também surgiram o Moss, o Flyfish Club, o ZZ’s Member Club e o Aman Club, que se juntaram a veteranos como o londrino Soho House, inaugurado em 2003 no Meatpacking District, e a Casa Cipriani.

Um dos motivos para o sucesso desses locais em Nova York é preencher a lacuna de um “terceiro lugar” para os moradores da cidade, que não seja nem casa nem trabalho. Sócios podem usar os clubes como coworking, local de encontros de negócios mais informais, restaurante ou até mesmo um espaço para fazer networking.

No Brooklyn, um bairro onde vivem muitas famílias, alguns clubes oferecem serviços para crianças, como o Little Big Hospitality, que conta com sete andares que incluem uma pizzaria, sala de cinema, pista de boliche e playground interno. O Kings Athletic Club também planeja abrir no Brooklyn Heights um clube com serviços e amenidades para as famílias.

Apesar do boom, os clubes de Nova York ainda seguem restritivos do ponto de vista de renda.

No Zero Bond, as anuidades variam de US$ 2,75 mil a US$ 4,4 mil, dependendo da idade do membro, além de uma taxa de adesão de US$ 750 a US$ 5 mil, também dependendo da idade, segundo o site do clube.

O Casa Cipriani cobra uma taxa de adesão de US$ 2 mil e anuidades que também variam mas têm como média o valor de US$ 3,9 mil.

Já o ultraexclusivo Aman Club cobra US$ 15 mil em anuidade e uma taxa de adesão de US$ 200 mil.

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