O híbrido ainda está vencendo, para desespero dos donos das empresas

O modelo híbrido de trabalho está resistindo ao desejo dos donos das empresas de retomar uma frequência 100% presencial nos escritórios.
Uma pesquisa feita pela WeWork nos Estados Unidos mostrou que 79% dos C-levels topam permitir que os funcionários dividam seu tempo de trabalho entre o espaço da empresa e suas casas, apesar da pressão dos acionistas por mais dias de presença.
Uma boa parte dos donos das companhias defende que seus empregados voltem a estar no escritório de segunda a sexta com a justificativa de que a produtividade aumenta, dado que o home office pode tornar mais lenta a tomada de decisão e retardar o aprendizado dos mais jovens.
Elon Musk e Jeff Bezos foram alguns dos primeiros donos de grandes empresas americanas a determinar o retorno total do modelo presencial, e influenciaram outras companhias a seguir o mesmo caminho.
No Brasil, mesmo quem já havia aderido ao home office como uma política permanente voltou atrás, como ocorreu com o Nubank, que agora está em uma transição para um modelo híbrido.
Apesar da tendência pró-presencial, o híbrido segue resistindo na maioria das empresas porque ainda há um receio de perder talentos.
A mesma pesquisa do WeWork diz que 75% dos funcionários estão dispostos a abrir mão de pelo menos um benefício, como bônus em dinheiro, plano de saúde ou dias de folga remunerados, em troca da liberdade de escolher seu ambiente de trabalho.
O levantamento mostra ainda que 53% dos entrevistados preferem ir ao escritório três vezes por semana ou menos. E 50% dizem que gostariam de ficar no máximo cinco horas por dia no escritório, para evitar os horários de mais trânsito, começando o dia de trabalho ainda em casa.
“O mercado não será nem oito nem oitenta. Os movimentos mais drásticos das empresas ocorrem para no fim do dia chegarmos a um meio termo entre o home office e o trabalho no escritório,” Estefania Barbosa, a diretora de áreas do WeWork no Brasil, disse ao Metro Quadrado.
A volta das empresas aos escritórios no pós-pandemia – que começou com um ou dois dias por semana, e agora já chega a três ou quatro dias, e até a cinco dias em algumas exceções – tem sido celebrada por proprietários de prédios corporativos, que perderam receita no período de isolamento e ouviram que seu negócio estava ameaçado.
Hoje, algumas empresas só não estão subindo o ritmo de frequência no escritório porque contrataram mais na pandemia e hoje não contam com espaço para todos.
O resultado disso é que a vacância em São Paulo está no menor nível em cinco anos (16,8%, segundo a CBRE) e aumentou o nível de pré-locação dos prédios que estão em obras.
A oferta de novos escritórios só não cresce mais porque os juros altos inviabilizam muitos dos projetos, e vários investidores estão preferindo apostar em prédios residenciais, que prometem retornos mais elevados.







