O mercado está otimista com escritórios. O BTG, não

O mercado imobiliário está animado com a retomada dos escritórios no pós-pandemia, mas o time de analistas do BTG está preferindo deixar um pé atrás com o segmento.
O banco disse em relatório que, mesmo com a queda da vacância, a dinâmica de preços de locação continua fraca na cidade: com exceção da Av. Faria Lima, os valores em outras regiões “ainda estão muito atrasados em termos reais.”
De 2019 para cá, só a Faria Lima e o bairro de Pinheiros conseguiram superar a inflação, com aumentos em média de 140% e 61% nos escritórios A/A+, respectivamente, segundo dados da Buildings – enquanto o IPCA acumula alta de 40% no período.
Nos demais territórios, os avanços médios foram de 36% na Vila Olímpia; de 29% na Av. Paulista; de 24% na Av. Chucri Zaidan; de 16% na área que reúne Barra Funda e Vila Leopoldina; e de 4% na Av. Berrini. Já a Chácara Santo Antônio teve queda de quase 2%.
Embora os investidores tenham a expectativa de que o restante da cidade se beneficie da falta de espaço na Faria Lima, promovendo com isso uma redução do gap de preços, ainda há um longo caminho a percorrer.
Um outro ponto que preocupa os analistas do BTG é a oferta limitada de novos prédios chegando ao mercado, o que reduz o potencial para destravar a demanda reprimida de grandes empresas que querem aumentar a frequência de trabalho no escritório.
Boa parte do que foi entregue nos últimos anos era formada por projetos antigos que estavam paralisados desde a pandemia – e só agora os empreendedores estão dando início a um novo ciclo de investimentos, mas ainda de maneira tímida, dados os altos custos de capital e de construção.
Além disso, as companhias estão mais exigentes em relação à qualidade do prédio, também um legado da pandemia, o que aumenta a procura por escritórios A/A+, diminuindo ainda mais o leque de opções.
Segundo um levantamento feito pelo Secovi com a CBRE, os escritórios A/A+ representaram 60% da absorção bruta em São Paulo no quarto tri, o maior percentual em cinco anos.
O resultado é que, mesmo com demanda, os níveis de absorção voltaram a cair.
Ainda segundo o Secovi e a CBRE, a absorção bruta acumulada em 12 meses caiu no quarto tri pelo segundo tri consecutivo, ao somar 834 mil metros quadrados – 100 mil m² a menos que o pico alcançado nos 12 meses até o segundo tri.







