O prédio da Dersa vai a leilão – mas o mercado acha caro

No miolo do Itaim Bibi, a antiga sede da Empresa de Desenvolvimento Rodoviário S/A (Dersa) será leiloada hoje, sete anos após a extinção da estatal paulista.
O edifício chega ao mercado por R$ 122 milhões, em um leilão aguardado pelos principais players do real estate da capital, dada a escassez de áreas para novas incorporações ou retrofits na região.
O imóvel tem 12 andares e uma área útil de 9,6 mil metros quadrados. O certame será operado pela Mega Leilões.
Quem arrematar o prédio ainda leva um boleto extra: o ativo tem uma dívida de IPTU registrada na prefeitura de R$ 658 mil.
Apesar do interesse do mercado, o lance inicial foi considerado salgado pelo setor, dizem executivos ouvidos pelo Metro Quadrado.
Guil Blanche, o fundador da Planta Inc., a incorporadora especializada em projetos de retrofit, é um dos nomes interessados em arrematar o ativo.
O empresário já tentou comprar o imóvel no passado com uma oferta de R$ 60 milhões, mas não teve sucesso. Agora, o ativo chega ao mercado por mais que o dobro desse valor.

“Acho muito difícil alguém entrar nesse primeiro lance, porque o preço está muito puxado, seja para retrofit ou para derrubar e construir do zero — o que ainda teria o custo do zoneamento ali,” disse o empresário.
Dados da consultoria imobiliária Colliers mostram que na rua Iaiá, onde fica o prédio, o preço negociado para venda de imóveis já prontos na região varia de R$ 37.500 a R$ 48.200 por metro quadrado.
Pelo lance inicial, o antigo prédio da Dersa sairia por R$ 12.662 por metro quadrado, mas os novos donos ainda teriam que colocar o custo da reforma na conta.
Caso não haja lances na primeira praça, uma segunda rodada deve ser realizada em abril. Neste cenário, o lance inicial começa com um deságio de 40%.
Guil Blanche já tem outro projeto na mesma rua, ao lado do imóvel da Iaiá: um retrofit feito em parceria com a Brookfield Properties.
E diz que a decisão sobre participar ou não do leilão também passa por entender a vocação do imóvel. Esse tipo de análise, segundo ele, demandaria muito mais tempo do que o disponível no leilão.
O certame faz parte do processo de extinção da Dersa, iniciado em 2019 e integrado ao programa de desestatização de empresas do governo do Estado de São Paulo ainda no mandato de João Doria.
Com o montante arrecadado no leilão, a gestão de Tarcísio de Freitas pretende dar prosseguimento ao pagamento de indenizações deixadas pela companhia.
Antes de ser extinta, a Dersa operava no prejuízo e também esteve no centro de investigações de corrupção, por supostamente conectar o governo tucano a empreiteiras ligadas ao PCC.







