Contrariando os temores de que a Reforma Tributária vai diminuir a atratividade de Extrema para o mercado logístico, a Fulwood está aumentando sua aposta na cidade mineira.
A incorporadora – uma das maiores do segmento – vai investir R$ 140 milhões na expansão de um dos sete empreendimentos que detém na praça, o Infinity Business Park.
A expansão já está com as obras em andamento, acrescentará mais 40 mil metros quadrados ao ativo e é feita de modo especulativo.
Para a Fulwood, a demanda por galpões triple A continua aquecida em Extrema e sustenta o movimento, pois, comparada a outras cidades que estão a uma distância parecida da capital paulista – como Sorocaba ou Campinas –, o município continua apresentando condições mais atrativas para os operadores.
“Vai acabar o incentivo fiscal, mas ainda há isenção de IPTU, um sindicato mais brando e estrada de qualidade, por exemplo,” o CEO Gilson Schilis disse ao Metro Quadrado. “A conta fecha em condições de igualdade de imposto.”

Além disso, está faltando galpão na região. Com a vacância de Extrema quase zerada, tudo que tem sido ofertado recentemente é pré-locado – a exemplo do que ocorre em outras regiões do País.
A própria Fulwood já mantém conversas com operadores logísticos e de ecommerce, e também deve alugar a expansão do Infinity Business Park antes da entrega, prevista para julho de 2027.
“Fazemos muitas operações de cross-selling, em que mudamos um cliente de um galpão maior para um menor e vice-versa, então esses têm preferência,” ele disse. “Fora isso, há outros demandando espaço lá que não estão conseguindo encontrar.”
Extrema tem uma vacância de apenas 0,9%, a menor entre os eixos do Raio 150 de São Paulo monitorados pela Cushman & Wakefield.
Já o preço médio é de R$ 30/m², acima do eixo Campinas-Sorocaba (R$ 23,95) e abaixo do corredor Dutra-Senna (R$ 32).
A Fulwood não abre o valor do aluguel da primeira fase do empreendimento, que está 100% ocupada por um operador logístico da Midea desde a entrega em 2025, mas diz esperar uma alta de 20% na próxima locação.
A incorporadora tem ainda a possibilidade de implantar uma terceira fase de expansão e adicionar mais 90 mil m² ao imóvel.
O investimento é de cerca de R$ 300 milhões, e o cronograma prevê o início das obras em meados de 2027 e entrega em 2028, mas esse calendário pode ser antecipado se a demanda seguir em alta.
“Costumo dizer que quando o PIB do Brasil fica abaixo de 2%, o mercado de galpão dá uma esfriada. Mas se tivermos um PIB em torno de 2% a 2,5% ao ano, o mercado continuará crescendo,” disse o CEO.
O FMI projeta que a economia brasileira vai crescer 2,2% em 2026 e 1,9% no próximo ano. A previsão supera a do último Boletim Focus, que estima avanço de 1,83% em 2026 e 1,32% em 2027.
No momento, a Fulwood está desenvolvendo 154 mil m² logísticos em Minas Gerais, incluindo empreendimentos em Betim e Pouso Alegre.
A incorporadora também planeja uma expansão de 265 mil m² em Santa Catarina, outros 240 mil m² no Paraná e há ainda projetos de ampliação em quatro cidades de São Paulo que somam 230 mil m².




