Em Belém, a COP passou, mas o aluguel caro ficou

Já faz quase três meses que a COP acabou, mas Belém ainda está tendo que lidar com os preços elevados para aluguel.
A cidade conseguiu o feito de tirar de São Paulo o status de capital com os anúncios mais caros para locação residencial, um posto conquistado exatamente em novembro – o mês da COP – e que está sendo mantido desde então.
Segundo o Índice FipeZap, a média de anúncios na capital paraense chegou a R$ 63,60 por metro quadrado em janeiro, enquanto em São Paulo – agora a vice-líder – ficou em R$ 62,96.
Em 12 meses, o preço anunciado em Belém foi o segundo que mais subiu, com alta de 18%, atrás apenas de Teresina, com 21%.
A cidade foi galgando posições no ranking de capitais com os maiores preços anunciados para locação residencial à medida em que a COP se aproximava. Em meados de 2024, estava em sexto. Em janeiro de 2025, já era a terceira. Em abril, a segunda.
Independentemente da COP, Belém já vinha passando por uma restrição de oferta nova de imóveis, que não estava acompanhando a demanda local e criou um ambiente mais propício para a alta dos preços.
Na base de dados do FipeZap, Belém ultrapassou a média do Brasil em dezembro de 2022, e desde então vem se descolando.
“A demanda está crescendo desde o pós-pandemia, mas são raros os terrenos bem localizados para novos empreendimentos, então os preços estão subindo em prédios antigos que estão em boas localizações,” Fabrício de Menezes, o sócio-fundador da Broker, uma das maiores imobiliárias de Belém, disse ao Metro Quadrado.
A média está sendo impulsionada pelos bairros que já eram os mais consolidados, como Umarizal e São Brás, e não por novas áreas.
“As pessoas estão buscando morar nos lugares da cidade com melhor infraestrutura e mais oferta de serviços,” disse a economista Paula Reis, do Grupo OLX, responsável pelo Índice FipeZap.
Além disso, os altos preços anunciados para as locações de curta duração na COP acabaram influenciando os preços para os contratos convencionais de aluguel, criando um rescaldo nos meses seguintes à conferência.
“Quem põe um imóvel para locação vai pesquisar os preços que estão sendo praticados, e muita gente se baseou nos anúncios para a COP,” disse Bruno Lopes, o dono da franquia da Re/Max Imob em Belém.
Na prática, os preços negociados estão sendo menores do que os anunciados, porque já está havendo um choque de realidade, mas a oferta ainda deve seguir como uma barreira.
“O preço deve seguir elevado por um tempo porque ainda não há empreendimentos suficientes sendo entregues para suprir a demanda,” disse Bruno.
Para ele, o que deve ajudar a destravar é a queda da Selic – que tem o efeito de incentivar a compra do imóvel, diminuindo a procura pelo aluguel – e o novo Plano Diretor que está sendo discutido na cidade, que pode estimular projetos em áreas bem localizadas que hoje contam com restrições de construção.







