As acusações de desvios no prédio da Aston Martin, em Miami

Um empreendimento de branded residences assinado pela montadora de luxo Aston Martin está no centro de uma batalha jurídica em Miami.
Germán Coto, o responsável pelo desenvolvimento do edifício, é acusado de explorar os proprietários do condomínio e desviar milhões de dólares do negócio.
Pesam sobre ele alegações de serviços que nunca teriam sido executados e itens de condomínio que nunca foram entregues, e que teriam causado um rombo nas contas do edifício.
O caso foi revelado pelo The Real Deal no início de fevereiro, após ter acesso ao processo ajuizado no Tribunal de Justiça do condado de Miami-Dade.
O imbróglio ocorre em meio à expansão global da estratégia de branded residences da marca britânica, que tem projetos também em Dubai, no Oriente Médio.
A Associação de Condomínio do 300 Biscayne Boulevard Way acionou a Justiça americana contra Coto, sua mãe e outros sócios do projeto, que teriam participado do esquema fraudulento.
A entidade pede indenização de US$ 5 milhões.
Os réus são acusados de causar prejuízos financeiros de longo prazo, desviar verbas, ocultar informações financeiras e violar as normas fiduciárias e a legislação condominial da Flórida.
O caso teve início após a conclusão das obras, em abril de 2024. O projeto foi desenvolvido pela G&G Business Developments, em joint venture com a montadora britânica.
Para financiar o edifício, Coto obteve um empréstimo de US$ 200 milhões, usado na construção do prédio de 391 unidades, com VGV superior a US$ 1 bilhão.
Os compradores foram atraídos por promessas de amenidades exclusivas, como marina privativa, heliponto e acesso VIP à praia – itens que, segundo a associação, não foram entregues.
Coto também é acusado de criar contratos falsos com empresas ligadas a ele mesmo, para prestar serviços de manutenção, limpeza e concierge, como forma de desviar recursos e esvaziar o caixa do condomínio.
“Eles (Coto e os demais réus) tiraram todas as vantagens financeiras que puderam,” Ariella Gutman, a advogada da associação de moradores do Aston Martin Residences, disse ao The Real Deal.
“Não havia ninguém que fosse independente (na assinatura dos contratos) e que não estivesse relacionado às principais entidades que desenvolveram este edifício.”







