Brasília, Goiânia, FII: Os próximos passos da Brookfield no multifamily

Brasília, Goiânia, FII: Os próximos passos da Brookfield no multifamily
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A Brookfield está dobrando a sua aposta em multifamily no Brasil.

Principal player do segmento no País, a gigante canadense quer ampliar a sua exposição por meio de uma expansão para novas cidades, e estuda inclusive criar um fundo imobiliário voltado para o nicho.

Entre as novas geografias que estão no radar, o Centro-Oeste é a bola da vez.

A empresa está em busca de projetos residenciais em Goiânia e nos arredores de Brasília para o seu portfólio, que hoje conta com 6,2 mil unidades no País – num mercado total de pouco mais de 15 mil unidades, segundo dados da Brain.

“Somos direcionados por regiões ricas em emprego e em renda, e Brasília é uma das melhores do Brasil para locação, com ocupação e valores em níveis altos,” André Lucarelli, o vice-presidente sênior de investimentos em real estate da Brookfield, disse ao Metro Quadrado.

Focada na média renda, a Brookfield estuda projetos nas cidades-satélites, que ficam próximas à capital federal e oferecem preços mais acessíveis.

“Brasília em si é muito cara, o que torna difícil atingir o público que gostaríamos. Mas se formos para Águas Claras, Gama e outras cidades-satélites, já conseguimos produtos que se encaixam nessa estratégia.”

Já Goiânia tem um preço médio de locação mais baixo que o de Brasília (R$ 41,60/m² versus R$ 51,16/m² – segundo o Índice FipeZAP), com a cidade tendo passado por um boom de lançamentos imobiliários residenciais no ano passado.

Mas Lucarelli diz que a oferta de apartamentos para locação ainda não é suficiente, enquanto a “demanda é muito forte, seja pelo agro ou pela própria localidade.”

A asset já bateu na trave em algumas negociações recentes no Centro-Oeste e espera fechar negócios até o final do primeiro semestre.

O entrave por enquanto é encontrar desenvolvedores para construir empreendimentos residenciais que possam ser adquiridos em escala.

“O que mais tem lá é oportunidade de comprar terreno e fazer o prédio, mas não queremos isso. Em nossos projetos temos sempre parceiros que constroem para nós e vendem o condomínio pronto. Precisamos achar esse parceiro no Centro-Oeste.”

A Brookfield entende que o multifamily é o setor mais atrativo para investir no Brasil no momento pelas dificuldades da compra da casa própria no País e a preferência das gerações mais jovens pelo aluguel.

Além dos planos de desbravar uma nova região, a Brookfield também quer aumentar o portfólio nas praças já existentes.

A companhia é dona de 33 projetos, dos quais 19 estão em operação, distribuídos em oito cidades — São Paulo, Rio de Janeiro, Campinas, Curitiba, Porto Alegre, Belo Horizonte, Lauro de Freitas e Contagem.

A maior parte desses projetos está em São Paulo, com 3,2 mil unidades, e para este ano estão previstas outras quatro entregas na capital paulista que somam outras mil novas unidades.

“Queremos ter apartamentos em todas as regiões de São Paulo. Algumas são mais fáceis, outras mais difíceis, como a Zona Norte. Mas já temos projetos por lá,” disse Lucarelli.

A companhia também tem projetos em desenvolvimento no Rio de Janeiro e Porto Alegre e quer expandir a presença em Belo Horizonte.

A expectativa é terminar o ano com quatro mil unidades em operação, contra 2,7 mil atualmente.

A Brookfield considera que esse é um número adequado para colocar outro plano em ação: criar um fundo imobiliário para dar saída ao portfólio.

FIIs da categoria residencial ainda são incipientes no País. Há apenas sete deles listados na B3 que somam menos de R$ 700 milhões em patrimônio líquido.

“Com quatro mil apartamentos já estabilizados, o mercado com uma taxa de juros menor e apetite maior seria um bom momento para criar o primeiro grande FII de multifamily do Brasil.”

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