BTG eleva Helbor, rebaixa Melnick e não vê Selic fazendo mágica

O BTG deu um upgrade na ação da Helbor e rebaixou a da Melnick numa revisão do setor que já contempla o início do ciclo de corte de juros.
O banco entende que a queda da Selic não será suficiente para impulsionar o financiamento imobiliário e por isso reviu suas recomendações aconselhando que os investidores sigam seletivos.
A recomendação para a Helbor passou de neutra para a compra porque os analistas entendem que o papel está excessivamente descontado, negociando no menor múltiplo da cobertura setorial.
O banco avalia que o nível de endividamento da Helbor ainda está alto – em 54,5% do patrimônio líquido – e por isso a incorporadora deve gerar caixa por meio da venda de estoque pronto para o público e de terrenos em mercados onde não atua mais.
“Os lucros podem crescer bastante quando a alavancagem diminuir, já que as despesas com juros são o principal fator a impactar negativamente os resultados,” escrevem os analistas.
O BTG projeta um lucro líquido de R$ 90,4 milhões para a Helbor neste ano, mais de quatro vezes o montante de R$ 20,6 milhões estimado para o resultado consolidado do ano passado. Para 2027 a projeção é ainda maior, de R$ 123,6 milhões.
O preço-alvo para as ações da Helbor é de R$ 4,10, com upside de 45% em relação à cotação dos papéis hoje, que subiam 2,5% por volta das 15h30.
Já a recomendação da Melnick passou de compra para neutra após o BTG avaliar que a incorporadora gaúcha não deve crescer muito neste ano.
Os analistas acreditam que será difícil ganhar mais mercado em Porto Alegre, onde já possui uma posição dominante, com share de 30%, dado que o ambiente macro seguirá adverso.
A Melnick pode até crescer em outras regiões por meio das joint ventures que tem firmado, mas o BTG não vê esse caminho com bons olhos.
“Essa estratégia é mais arriscada, já que os projetos não são controlados pela empresa e também pode exigir mais capital.”
Os analistas esperam dividendos menores para a empresa no curto prazo e estabeleceram um preço-alvo de R$ 4,80 para as ações — com upside de 20% em relação à cotação de hoje.
A recomendação do BTG Pactual também é neutra para Mitre, cuja alavancagem é considerada alta e o ROE baixo, e Even, que não deve expandir os lançamentos e a rentabilidade graças ao macro ainda adverso.
Já Cyrela, Eztec, Trisul e Lavvi seguiram com recomendações de compra, e a incorporadora de Elie Horn manteve o posto de preferida do setor.
Para os analistas, a Cyrela ainda apresenta a melhor relação risco-retorno da lista graças à exposição significativa ao Minha Casa Minha Vida — cerca de 40% do lucro —, à maior liquidez das ações e ao histórico comprovado de execução dos projetos.







