Caixa quer fazer a maior concessão de crédito imobiliário da sua história

A Caixa Econômica Federal acredita que fará este ano o maior volume de concessão de crédito imobiliário da história do banco.
A projeção se baseia no orçamento disponível para este ano – que cresceu em todas as frentes e é recorde – e na demanda aquecida.
“Conseguimos novas fontes de recursos e – apesar da mudança de gerações – as famílias continuam querendo casa,” Roberto Carlos Ceratto, o diretor de habitação do banco, disse num evento do Bradesco.

A maior fonte de funding ainda é o FGTS, com R$ 144,5 bilhões – acima dos R$ 126,8 bi destinados à habitação no ano passado –, e há também R$ 30 bilhões vindos do Fundo Social do Pré-Sal.
Além disso, o orçamento da Caixa para o SBPE aumentou para R$ 97 bilhões, contra R$ 64 bilhões no ano passado.
A alta foi possível graças às mudanças nas regras de uso dos recursos da poupança no ano passado, que devem liberar até R$ 50 bilhões para o financiamento habitacional.
O governo acabou com a obrigatoriedade de os bancos destinarem 20% dos depósitos da caderneta para o Banco Central e com o teto de 65% para o crédito imobiliário.
A mudança inclui um período de transição que acontece ao longo deste ano e no qual o compulsório será reduzido para 15%, antes de ser oficialmente zerado em 2027.
“Apesar das volatilidades de funding, nós temos uma estrutura bem concebida no País que dá uma estabilidade muito grande para sustentar o crescimento.”
A maior disponibilidade de recursos possibilitou à Caixa voltar a financiar imóveis acima de R$ 2,25 milhões e a contratação de mais de um financiamento ao mesmo tempo com recursos da poupança.
“Todas essas medidas que adotamos trouxeram um incremento bastante importante neste primeiro trimestre,” disse Ceratto.
Os números do primeiro tri ainda não estão disponíveis, mas projeções divulgadas no início do ano indicam que a Caixa espera um crescimento de 8% a 12% para a carteira de habitação com recursos do FGTS, que registrou R$ 569,4 bilhões no ano passado.
Já a expectativa para a carteira que utiliza recursos do próprio banco é de alta de 9,5% a 13,5% sobre os R$ 368,7 bilhões reportados em 2025.
A projeção de crescimento ocorre a despeito dos temores do mercado com um ritmo de queda menor dos juros neste ano, pois Ceratto diz que a política da Caixa já é trabalhar com as menores taxas do mercado.
“Salvo se houver alguma mudança mais disruptiva no processo, acredito que continuaremos mais ou menos nesse patamar de juros, que está adequado ao custo do recurso como um todo e aos mix estabelecidos.”
A expectativa de expansão do crédito imobiliário da Caixa acompanha a visão também otimista do mercado como um todo.
A previsão é que as concessões de crédito no mercado via SBPE cresçam 15% em 2026 e alcancem os R$ 180 bilhões, segundo a Abecip, revertendo um recuo de 13% registrado no ano passado.
Isso significa que os juros ainda altos também não devem atrapalhar o crescimento da carteira de crédito imobiliário dos bancos privados.
“Quando você tem uma tendência de baixa, que é o que acontece esse ano, independente da velocidade, as pessoas ficam com mais apetite para tomar uma decisão de longo prazo,” disse Romero Albuquerque, diretor de crédito imobiliário do Bradesco.







