Caixa vai voltar a financiar imóveis acima de R$ 2,25 mi. Alívio no estoque?

Caixa vai voltar a financiar imóveis acima de R$ 2,25 mi. Alívio no estoque?
|

A Caixa anunciou que vai voltar a financiar a aquisição de imóveis residenciais acima de R$ 2,25 milhões para pessoa física com recursos da poupança – uma medida que pode gerar um alívio para o estoque do segmento, que tem crescido diante de um ritmo de vendas que não acompanha os lançamentos.

Os imóveis acima de R$ 2,25 milhões fazem parte da linha de crédito do Sistema Financeiro Imobiliário (SFI), na qual a Caixa não atuava desde 2024, porque estava dando mais atenção aos imóveis de menor valor, com potencial de atingir mais famílias, no Sistema Financeiro de Habitação (SFH), que no fim do ano passado elevou o seu teto de R$ 1,5 milhão para R$ 2,25 milhões.

A medida representa mais um esforço do governo para impulsionar o crédito e a venda de imóveis em um ano eleitoral, em um momento em que o Conselho Curador do FGTS se prepara para elevar o teto de todas as faixas de renda do Minha Casa Minha Vida.

Com a volta do financiamento acima de R$ 2,25 milhões, somado ao avanço do SFH, a Caixa estima que deve gerar a contratação de R$ 8 bilhões em financiamento para pessoa física em 2026.

Na justificativa para tomar a nova medida, o banco disse que a liberação dos recursos para imóveis superiores a R$ 2,25 milhões estará condicionada a critérios de sustentabilidade, como eficiência energética, mitigação de impactos ambientais e soluções tecnológicas sustentáveis.

O tomador precisará ter o selo Caixa Azul Uni, criado em 2009 pelo banco para reconhecer soluções eficientes no mercado.

“Estamos trazendo para o mercado uma solução que combina crédito, tecnologia e responsabilidade ambiental,” disse Inês Magalhães, a vice-presidente de Habitação da Caixa.

A Caixa também já havia retomado o financiamento à produção de imóveis, mas a principal preocupação do mercado no momento é o ritmo de vendas, que em 2025 ficou bem abaixo do ritmo de lançamentos, em razão do período prolongado de juros altos.

Um levantamento feito pelo BTG com base em dados das incorporadoras listadas que atuam no médio e alto padrão mostrou que os lançamentos cresceram 29% no ano passado, enquanto as vendas subiram apenas 1%.

Já um outro estudo feito pelo BTG com base em dados do Secovi-SP mostrou que o estoque dos imóveis de São Paulo que valem mais de R$ 2,1 milhões já chegou a 20 meses de vendas. Dois anos atrás, estava abaixo de 15 meses.

Embora o alto padrão seja menos dependente do financiamento bancário, os imóveis que estão imediatamente acima da faixa de R$ 2,1 milhões ou R$ 2,25 milhões são comprados por um público que está numa espécie de “piso” do alto padrão, e que recorre aos bancos para financiar uma parte do imóvel, ou que calcula se faz mais sentido deixar o seu dinheiro excedente aplicado em títulos de renda.

Um aspecto que anima o mercado é que a medida da Caixa está sendo tomada às vésperas do esperado início do ciclo de corte de juros.

“Tudo isso junto já promove uma melhora no mercado, em especial para o público do médio e alto padrão,” Cláudio Carvalho, o CEO da incorporadora AW Realty, disse ao Metro Quadrado.

Siga o Metro Quadrado no Instagram

Seguir