A Kinea está lançando seu primeiro fundo de multifamily, em um esforço conjunto com a Brookfield para concorrer com o pulverizado mercado de aluguel residencial dominado pelas pessoas físicas.
A Kinea já tinha um fundo residencial, o KRES11, para atuar em short stay, mas agora o foco são as locações de longa duração.
“É uma aposta no crescimento da demanda por aluguel graças aos juros altos, financiamento mais difícil e imóveis mais caros, e a tendência global de multifamily profissionalizado,” disse uma fonte a par do assunto.
Uma das vantagens percebidas pela gestora no multifamily é ter o prédio inteiro e assim evitar que existam outros proprietários dentro do ativo cobrando valores diferentes para os mesmos apartamentos.
Para entrar nesse mercado já com uma carteira de calibre, a Kinea será sócia da Brookfield – dona do maior portfólio residencial para renda do Brasil.
O fundo, batizado de Kinea Plataforma Residencial (KNLP11), quer levantar R$ 1,9 bilhão para comprar 22 projetos e 4,5 mil unidades da gigante canadense.
Os projetos no pipeline do FII estão localizados em seis estados e oito cidades, incluindo São Paulo, Campinas, Porto Alegre, Curitiba, Belo Horizonte e Rio de Janeiro.
Do total, 15 projetos estão operacionais e somam 2,5 mil unidades já com capacidade de gerar renda para o fundo.
A rentabilidade-alvo é de 8,75% ao ano, mas há possibilidade de upside se os projetos performarem melhor que o previsto e também com a venda de imóveis ao final do FII, que tem prazo máximo de duração de cinco anos.
“Os imóveis podem ser vendidos até antes se, de repente, surgir alguma proposta de um fundo perpétuo de renda, por exemplo,” disse a fonte.
Quase 70% dos projetos são voltados às classes B e C, que têm mais dificuldade para comprar imóveis próprios e são mais dependentes do aluguel.
Esses segmentos são os favoritos da Brookfield, que fará a gestão dos ativos por meio da Tabas, startup de multifamily comprada pela canadense há poucos meses.
Além de cuidar da gestão dos imóveis, a Brookfield também será consultora imobiliária e cotista do KNLP11, mantendo parte de sua exposição aos ativos vendidos.
O FII foi estruturado com 70% de cotas sênior, que serão distribuídas a investidores qualificados, e 30% de cotas subordinadas que ficarão com a Brookfield e servirão como um colchão de segurança para quem entrar na sênior.
A oferta do fundo é coordenada pelo Itaú BBA e está prevista para ser encerrada até novembro.
Procurada, a Kinea não comenta o assunto. A gestora está em período de silêncio.




