Construção sente efeitos da guerra – e vai repassar ao comprador

A construção civil já está sentindo os efeitos da guerra no Oriente Médio e deve começar a repassar os custos maiores para os compradores de imóveis.
Os reajustes mais salgados de materiais e insumos começaram há cerca de um mês, segundo o SindusCon-SP, e as construtoras ainda contabilizavam o impacto dos novos preços.
Mas a conta agora deve chegar ao consumidor final.
“A partir do próximo mês eles terão um impacto maior e vão reajustar parcelas dos empreendimentos que têm contratos indexados ao INCC,” Yorki Stefan, o presidente do SindusCon-SP, disse ao Metro Quadrado.
O INCC-10 de abril, divulgado pela FGV na semana passada, acelerou para 0,88%, contra 0,29% no mês anterior, puxado pelo aumento de materiais e equipamentos.

Dentro da categoria, os principais vilões foram a massa de concreto, tubos e conexões de PVC e cimento Portland comum – todos materiais afetados pela alta do petróleo.
“Além da alta de 23% do diesel, que encareceu o transporte interno dos materiais, aumentaram também o carvão e o coque, por exemplo, que são usados nas usinas siderúrgicas e nos fornos de cimento,” disse o presidente do SindusCon-SP, que espera um impacto ainda maior no INCC do próximo mês.
Além de afetar os custos, a guerra também interrompeu o movimento de melhora nas condições de concessão de crédito ao setor.
Ainda assim, Stefan não acredita que o cenário deve inviabilizar projetos já contratados ou levar à paralisação de canteiros.
Mas diz que as construtoras com cronogramas mais folgados podem esperar mais para iniciar etapas de obras e, se os aumentos persistirem, as incorporadoras devem repensar os lançamentos para o restante do ano.
“Se não tivermos uma sinalização de que a guerra vai terminar e que os materiais vão voltar a um patamar adequado, todos os lançamentos terão que considerar os novos custos e isso pode ser um inibidor.”
Para Stefan, o efeito deve ser sentido em todos os segmentos do mercado residencial, pois incide na cadeia como um todo.
Já o time de research do BTG diz que qualquer aceleração adicional da inflação deve pesar especialmente nos projetos de baixa renda, nos quais as incorporadoras têm pouco espaço para reajustar os preços, o que pressiona diretamente as margens.
O segmento de média e alta renda, por outro lado, costuma ser mais resiliente em condições macro desfavoráveis, mas os juros altos também dificultam o repasse.
“Não esperamos que haja aumentos nos preços dos imóveis sem afetar negativamente a demanda,” disse o BTG.







