Crédito via poupança volta a crescer este ano, prevê Abecip

A queda da Selic deve fazer o financiamento imobiliário com recursos de poupança voltar a crescer em 2026, ainda que alternativas como as LCIs e CRIs sigam ganhando representatividade no mercado.
As concessões de crédito via SBPE devem crescer 15% neste ano e alcançar os R$ 180 bilhões, segundo estimativas da Abecip, depois de um recuo de 13% no ano passado.
Esse patamar é o mesmo visto em 2024, quando os juros passaram por um breve ciclo de cortes antes de alcançarem o maior nível dos últimos 20 anos, a 15%. A expectativa do mercado é que a Selic termine o ano em 12,25%.
A projeção de crescimento nas concessões do SBPE também inclui na conta o fim do compulsório da poupança, que injetou R$ 38 bilhões neste mercado. O total deve subir para cerca de R$ 50 bilhões até o fim do período de transição, em 2027.
A Abecip diz que os recursos extras possibilitaram uma redução nas taxas dos bancos no financiamento para as pessoas físicas.
“Isso gerou um fôlego importante para o mercado. Mas ele tem prazo de duração e essa é uma grande preocupação, pois vamos continuar produzindo em grandes volumes,” disse Priscilla Ciolli, a diretora de crédito imobiliário do Itaú que assumiu a presidência da Abecip em novembro.
A associação projeta um crescimento de 15% no volume de produção de unidades.
“Quando o valor aportado acabar, precisamos estar em outro cenário de juros para conseguir manter as taxas.”
Com a limitação da medida e a Selic ainda no patamar de dois dígitos, o mercado tem utilizado cada vez mais alternativas dentro dos bancos e no mercado de capitais.
As concessões de funding livre, por exemplo, que vêm principalmente dos recursos de tesouraria, saltaram 246% no último ano, passando de R$ 9 bilhões em 2024 para R$ 31 bilhões. Para 2026, a expectativa é que essa categoria cresça 66% e atinja os R$ 51 bi.
“O mercado achou alternativas para viabilizar o financiamento independente do subsídio de poupança e começamos a perceber a ocupação desse funding também no financiamento à pessoa jurídica, compensando a queda do SBPE.”
Além dos recursos de tesouraria, produtos como LCIs e CRIs ganharam representatividade na estrutura de funding.
Os CRIs cresceram 14%, para R$ 257 bilhões, correspondendo a 10% dos R$ 2,63 trilhões registrados no ano passado, contra 9% no ano anterior.
Já as LCIs, que são mais baratas de emitir e não envolvem venda de carteiras para securitizadoras, ganharam fôlego após uma nova redução do prazo de carência e avançaram ainda mais que os CRIs.
O crescimento foi de 27%, para R$ 511 bilhões, montante que representa 19% do total, contra 17% em 2024. Já a representatividade da poupança caiu de 32% para 29% na mesma base.
A Abecip projeta um crescimento de 16% para o volume total de financiamento imobiliário no País neste ano, acima do crescimento de 3% visto em 2025.







