Ele vendia imóveis no Facebook — e descobriu que o produto era ele mesmo

Quando tudo era mato nas redes sociais, antes de vídeos, algoritmos e corretores influencers, Rodrigo Barbosa já fazia dali o centro do seu trabalho como corretor de imóveis.
O que começou no Facebook, ainda no início da década passada, não tinha pretensão de tendência ou inovação, era uma tentativa prática de apresentar melhor os imóveis que ele colocava à venda — com fotos mais cuidadas, textos menos genéricos e atenção ao que cada espaço oferecia de especial.
“Eu nunca gostei de vender metragem. Eu gosto de mostrar como se vive ali, a história do apartamento, do prédio,” Rodrigo disse ao Metro Quadrado.
Essa lógica segue sendo o eixo da Morabilidade, a imobiliária carioca que Rodrigo fundou em 2012 e que hoje opera integralmente pelo Instagram.
Não há portal imobiliário, não há anúncio pago e não há vitrine física.
Até mesmo o site da marca, que está sendo construído agora, é visto apenas como uma extensão do trabalho feito nas redes, para uma pesquisa mais aprofundada sobre imóveis já apresentados por vídeo.
Esse jeito de trabalhar começou um ano e meio antes da Morabilidade, quando Rodrigo fundou em São Paulo a imobiliária Casas Bacanas com sua antiga sócia, uma das primeiras do ramo a ter uma página no Facebook.
Depois dessa experiência, ele resolveu voltar para o Rio, a cidade onde cresceu, e fundou a sua imobiliária usando a mesma estratégia focada em redes sociais.
O nome da empreitada veio de um cliente ainda da época da Casas Bacanas, que contou para Rodrigo que outros apartamentos que tinha visitado não eram funcionais, enquanto os do corretor tinham certa “morabilidade”.
Antes de virar corretor, Rodrigo se formou em enfermagem pela UFRJ e passou anos trabalhando com saúde, inclusive nos Estados Unidos e na China.
“É uma área que, a princípio, não tem nada a ver com imóveis, mas a gente leva muita coisa dali: cuidado, escuta, observação,” disse ele.
O embrião da sua transição para o mercado imobiliário foi a sua experiência em Pequim, onde ele começou a se interessar pela arquitetura dos projetos residenciais que surgiam em ritmo acelerado, com características muito diferentes do padrão brasileiro.
“Eu comecei a ser exposto a uma variedade muito grande de possibilidades de moradias. Aquilo me despertou algo que eu não tinha antes,” disse Rodrigo.
Ele voltou ao Brasil em 2010 e começou como corretor no mercado de lançamentos, depois migrando para o segmento de imóveis já prontos. “Eu gosto de ver como as pessoas moram de verdade.”
Rodrigo passou do Facebook para o Instagram em 2014 e manteve o perfil apenas com fotos e textos até 2023, quando iniciou os primeiros testes em vídeo — ainda sem aparecer.
A decisão de colocar o rosto veio só no início de 2024, depois de uma sugestão recorrente de quem acompanhava o trabalho.
“As pessoas falavam que o produto era eu, que fazia sentido eu aparecer,” disse ele.
O formato segue simples e pouco roteirizado. Rodrigo entra no imóvel sem texto pronto e grava quantas vezes for preciso. A abertura é pensada com cuidado, mas o resto acontece no ritmo da caminhada.
“Às vezes eu nem falo tanto de venda. É mais sobre mostrar como se vive ali,” disse ele.
A mudança teve efeito imediato. Um dos primeiros imóveis apresentados nesse formato foi uma casa considerada difícil de vender, na Gávea, avaliada em quase R$ 8 milhões. O negócio saiu em seguida.
Segundo Rodrigo, no primeiro ano completo com vídeos, a Morabilidade teve o melhor desempenho de sua história até então.
Já em 2025, o resultado mais que dobrou: foram 40 imóveis vendidos e mais de R$ 50 milhões movimentados, todos originados no Instagram.
Hoje, Rodrigo divide a operação com uma equipe de três pessoas que fazem tudo – até a edição dos vídeos.
“O Instagram não é só uma vitrine. É onde o negócio acontece,” disse ele.







