Em Belém, o alto padrão virou protagonista – porque foi o que sobrou

Em Belém, o alto padrão virou protagonista – porque foi o que sobrou
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Belém se tornou com folga a capital que mais lança imóveis residenciais de alto padrão como proporção do mercado da cidade.

De todas as unidades lançadas na capital paraense no ano passado, 23% têm avaliação acima de R$ 2 milhões, segundo a consultoria Brain — bem à frente da proporção registrada em cidades como Porto Alegre, Curitiba e Florianópolis, que aparecem na sequência com taxas abaixo de 10%.

O dado, à primeira vista, pode sugerir um mercado aquecido no topo da pirâmide. Mas o número está mais ligado à falta de lançamentos nas faixas inferiores, levando o mercado como um todo a ter poucas unidades lançadas no geral, o que inclusive tem elevado o preço dos aluguéis na oferta existente.

No ano passado, a cidade lançou apenas 1,7 mil unidades no total, das quais 400 com valor acima de R$ 2 milhões.

O Plano Diretor e o zoneamento de Belém fazem com que a cidade não tenha produção relevante de habitação para a baixa renda nem de produtos mais acessíveis para a classe média, abaixo de R$ 750 mil.

“A legislação dificulta demais a viabilidade econômica do lançamento de projetos abaixo desse patamar,” Fábio Araújo, o CEO da Brain, disse ao Metro Quadrado.

“Belém está dificultando a compra de imóveis pelas classes média e baixa. Isso expulsa as pessoas da cidade para a região metropolitana e aumenta custos no transporte, na saúde e na educação.”

A cidade também não desenvolveu um mercado relevante de unidades compactas voltadas para investimento — um segmento que, em outras capitais, ajuda a equilibrar o mix de lançamentos.

Em Florianópolis, por exemplo, os compactos têm presença expressiva. E por não ter uma oferta relevante nesse nicho, o mercado de Belém fica mais concentrado nas faixas mais altas, onde é mais fácil o projeto ser viável economicamente.

Não significa, porém, que o mercado de alto padrão em Belém esteja dando um banho no de outras capitais.

Quando o recorte leva em conta o número de unidades lançadas para cada mil domicílios ocupados por famílias de alta renda (acima de 25 salários mínimos), Belém ocupa só a 12ª posição entre as capitais.

Nesse critério, cidades como Florianópolis, Campo Grande e Curitiba aparecem à frente, com uma produção proporcionalmente maior de imóveis de alto padrão.

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