Financiamento à construção volta a subir na Caixa

A Caixa está voltando a acelerar o financiamento à construção de novos empreendimentos com recursos da poupança (SBPE) – como parte do plano para ter uma concessão recorde de crédito imobiliário em 2026.
O banco já separou R$ 20 bilhões do orçamento para financiar incorporadoras neste ano por meio do SBPE, mais que o triplo dos R$ 6 bi realizados no ano passado, que por sua vez representou uma queda ante os R$ 14 bi de 2024.
A retomada está sendo possível graças ao fim da obrigatoriedade de os bancos destinarem 20% da poupança ao compulsório do Banco Central, que foi anunciado no fim do ano passado e liberou mais recursos para o crédito imobiliário.
O percentual obrigatório foi reduzido para 15% para cumprir um período de transição antes de cair totalmente, mas só essa diminuição de 5 pontos percentuais já é suficiente para turbinar o orçamento do banco, que está confiando na demanda das empresas.
“Os planos de investimentos das companhias estão muito ousados e mostram que elas estão acreditando muito,” disse Roberto Carlos Ceratto, o diretor de Habitação da Caixa.
Como ao longo de 2025 os recursos da poupança estavam mais escassos, o banco recorreu a recursos livres para evitar uma redução maior do financiamento à construção. Mesmo a um juro maior, os projetos das empresas se viabilizaram.
“As empresas só usam de 20% a 25% do financiamento, porque o repasse é muito acelerado, então essa composição entre SBPE e recursos livres foi muito positiva e nos deu estabilidade no ano passado.”
A expansão dos recursos do SBPE para PJ se somará ao orçamento do FGTS para as incorporadoras que atuam no Minha Casa Minha Vida – que tem R$ 27 bi aprovados e deverá ser consumido totalmente, segundo Ceratto – e aos recursos livres, que seguirão sendo usados ainda que em menor patamar.
O executivo indicou ainda que o aumento do estoque e da diminuição da velocidade de vendas em São Paulo não deve diminuir o apetite do banco, em razão de outras medidas de estímulo anunciadas recentemente pela própria instituição, como o aumento para R$ 2,25 milhões do valor máximo dos imóveis que podem ser financiados pelo SFH e a decisão de retomar o financiamento à pessoa física no SFI, que inclui imóveis acima de R$ 2,25 milhões.
“Com todas essas travas retiradas, eu diria que o primeiro tri vai ser bastante surpreendente,” ele disse. “Temos acelerado bem as contratações e o orçamento está bastante aderente ao momento, dando vazão.”







