Melnick muda rota para pegar carona no avanço do MCMV em Porto Alegre

Melnick muda rota para pegar carona no avanço do MCMV em Porto Alegre
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A Melnick está recalculando a rota em Porto Alegre.

Líder do mercado de médio/alto padrão na capital gaúcha, a incorporadora está agora dando mais importância a projetos do Minha Casa Minha Vida, aproveitando que a habitação econômica virou um dos principais mercados da cidade depois das enchentes.

Os lançamentos da Open – a vertical da companhia para o segmento – devem somar R$ 350 milhões em VGV neste ano, quase 80% a mais do que lançou em 2025. O plano é focar nas faixas 3 e 4 do MCMV.

Para isso, terrenos que haviam sido comprados pela Melnick para projetos de médio/alto estão estão direcionados para o MCMV – o que exigiu uma renegociação com os permutantes.

“Nós explicamos a eles que não seria possível lançar projetos de médio e alto padrão pelos próximos cinco ou dez anos, dadas as incertezas do mercado. A melhor alternativa seria converter a vocação para o MCMV,” o CEO Leandro Melnick disse ao Metro Quadrado.

O médio/alto perdeu força em Porto Alegre não apenas em razão dos juros – fator que afetou todo o País – mas também por uma questão demográfica (a população da cidade diminuiu no último Censo) e pela desaceleração econômica provocada pelas enchentes.

Para renegociar com os donos dos terrenos, a empresa passou a trabalhar, em média, com um desconto de até 80% sobre o valor originalmente acertado.

Apesar do deságio, os permutantes não devem ter perda real de receita, já que, no MCMV, essa diferença tende a ser compensada pelo maior número de unidades disponíveis para venda, disse o CEO.

“Temos uma demanda reprimida gigantesca, porque nunca houve um lançamento sistemático de MCMV.”

O programa tem crescido em ritmo acelerado em Porto Alegre porque depois das enchentes o governo gaúcho criou o programa Porta de Entrada, para ajudar as famílias a pagar a entrada do financiamento pelo MCMV, dado que muitas delas perderam suas casas.

No ano passado, Porto Alegre foi a segunda cidade da região Sul que mais registrou lançamentos de habitação econômica, com 3,4 mil unidades, atrás apenas de Londrina, com 4,4 mil, segundo a consultoria Brain.

Hoje, a Melnick tem um landbank de R$ 4,4 bilhões, dos quais 21% – aproximadamente R$ 1,5 bilhão – estão destinados aos projetos da Open.

Ao incluir a Faixa 4 do MCMV entre suas prioridades de produção, a empresa está apostando num segmento recém-criado pelo governo federal para o qual a oferta ainda não deslanchou.

Já do lado da demanda, o apetite pode crescer com novos reajustes que devem ser feitos em breve pelo governo federal, com aumento dos limites de renda para todas as faixas e do teto de preços dos imóveis para as faixas 3 e 4.

A nova estratégia da Melnick também procura acelerar o crescimento da companhia – uma preocupação entre analistas, que veem a incorporadora com dificuldade para ganhar mercado no médio/alto de Porto Alegre, onde já é dominante, e para avançar em outras praças, onde o risco é maior.

No balanço do quarto tri, divulgado ontem à noite, a receita líquida caiu 22% na comparação anual, para R$ 311 milhões, e o lucro líquido ficou estagnado em R$ 34 milhões, com um ROE anualizado de 13%.

No período, a queima de caixa somou R$ 220 milhões, contribuindo para um aumento da alavancagem para 38% (dívida líquida/patrimônio).

No consolidado 2025, o VGV cresceu 7%, para R$ 1,7 bilhão, e as vendas subiram 11%.

Após a divulgação dos resultados, as ações da Melnick abriram o dia em queda. Às 15h, a ação caía 3,58%.

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