No mercado de moradia estudantil, só sobrou a Uliving

A Uliving agora reina sozinha como player institucional no mercado de moradia estudantil.
A investida do Patria eliminou a competição ao comprar a sua única concorrente, a Share Student Living, que pertencia a um fundo da CIX Capital, da família Zogbi, e tem presença em São Paulo e Porto Alegre.
O desejo de unir as duas operações era antigo e mútuo, o que significa que o desfecho poderia ter sido o inverso, com a Share comprando a Uliving, que acabou sendo mais rápida.

“Nós conseguimos trazer o capital necessário,” Ken Wainer, o sócio do Patria responsável pela Uliving, disse ao Metro Quadrado.
A aquisição foi feita por meio de um fundo gerido pela casa e que tem como investidor o Grosvenor, family office de Hugh Grosvenor, o duque de Westminster.
Com o deal, a Uliving acrescenta 2 mil novos leitos ao portfólio e atinge a meta de 4 mil leitos dois anos antes do prazo, com 13 imóveis em cinco regiões.
Agora, a Uliving só compete com os apartamentos que pertencem a pessoas físicas e são alugados para estudantes, um nicho que cresceu em São Paulo com o aumento da oferta de estúdios, um fator que impede uma expansão mais agressiva da empresa na cidade.
A Share nasceu em 2014 como uma joint venture entre a incorporadora Mitre e a americana RedStone Residential, e tinha como sócios a Aguassanta, da família Ometto, e a Nova Milano, da família Grendene.
A operação depois foi vendida ao fundo da CIX Capital, que transferiu a gestão dos ativos para a americana Greystar.
O portfólio da Share — com quatro prédios em São Paulo e um na região metropolitana de Porto Alegre — continuará a ser operado pela Greystar, que assumiu a gestão há dois anos. Mas deve consolidar tudo em uma única marca e gestora no futuro.
Antes disso, a Uliving já está trabalhando na segmentação de imóveis próximos para evitar a canibalização, como o Uliving Pinheiros e o Share Butantã, que estão perto da USP.
“O Share Butantã tem bastante quarto duplo, o que gera um custo por pessoa mais baixo. Então posicionamos ele como uma opção para quem abre mão de privacidade para economizar no preço,” disse Ken.
Além dos ajustes, o Patria também quer expandir a operação por meio de aquisições de prédios com vocação para residência estudantil e parcerias com incorporadores que desenvolvem projetos próximos a universidades para gestão de imóveis de terceiros.
“Estamos olhando uma situação em Curitiba e outra em BH com esse perfil de incorporador que enxerga que a rentabilidade poderia ser interessante,” disse Ken.
A Uliving também tem testado estruturas mais simples, como um edifício em Campinas sem elevador e chuveiro a gás, para oferecer produtos mais baratos em cidades onde os valores de locação são mais baixos.
Hoje a mensalidade média do portfólio, que inclui o aluguel e utilities, está na faixa de R$ 2,6 mil a R$ 2,8 mil, com taxa de ocupação de 90%.







