No mercado imobiliário dos EUA, é a vez do comprador

No mercado imobiliário dos EUA, é a vez do comprador
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A vantagem negocial no mercado imobiliário americano está voltando para o lado dos compradores.

Após anos de preços e juros nas alturas, há pouca demanda e muita oferta no mercado – e os descontos não param de crescer.

Quase dois terços (62%) dos imóveis residenciais vendidos nos EUA no ano passado foram negociados abaixo do preço original, no patamar mais elevado desde 2019, segundo um relatório da corretora Redfin citado pelo Wall Street Journal.

O nível médio de desconto alcançado pelos compradores, de 7,9%, foi o mais alto desde 2012, e atingiu 8,1% só para os apartamentos.

A Flórida registrou as maiores quedas de preços, com cidades como West Palm Beach, Miami e Fort Lauderdale registrando descontos em cerca de 85% dos imóveis negociados.

Por outro lado, os compradores conseguiram menos desconto em Newark, Nova Jersey, onde 32% pagaram abaixo do preço de tabela; e em São Francisco e San Jose, na Califórnia, onde 39% dos negócios tiveram descontos.

Houve um período de bonança para os vendedores no pós-pandemia, com os juros zerados atraindo mais compradores do que o mercado podia absorver e os preços dos imóveis sendo negociados para cima. 

Mais recentemente, com a alta dos juros e a manutenção dos preços elevados, os vendedores viram o volume de negócios baixar e o tempo médio de listagem dos imóveis aumentar até chegar a um ponto de inflexão no ano passado.

Havia 600 mil vendedores a mais do que compradores ativos no mercado em dezembro de 2025, o que ajuda a explicar por que a confiança dos vendedores finalmente acabou e o poder de barganha passou para os compradores.

Para além de baixar os preços, os vendedores passaram a conceder condições especiais aos compradores, como o pagamento dos custos de transferência, buy-down das taxas de hipoteca e crédito para a realização de obras.

“Ao contrário de 2021 e 2022, os compradores não precisam limitar sua busca às casas que estão abaixo do seu orçamento para ter uma margem de negociação,” escreveu Asad Khan, um economista sênior da Redfin.

“Mesmo que o imóvel esteja um pouco acima do que podem pagar, há uma grande probabilidade de o vendedor aceitar uma oferta mais baixa.”

Com o mercado entrando em uma nova dinâmica, a Redfin espera uma recuperação nas vendas, após 2025 registrar o menor número de casas usadas vendidas desde 1995.

 

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