O efeito da suspensão dos alvarás em SP no VGV das incorporadoras

As incorporadoras que atuam em São Paulo acreditam que a decisão da Justiça de suspender a emissão de novos alvarás na cidade será revertida rapidamente, mas pelo menos três das companhias listadas já puseram na conta qual seria o efeito em seus negócios se a suspensão se prolongar.
A Plano&Plano – que só atua em São Paulo e em alguns municípios da região metropolitana – disse hoje a analistas que a decisão começaria a atrasar os seus lançamentos na cidade a partir do segundo trimestre, afetando 37% do VGV previsto para o período.
No terceiro tri, o impacto seria de 57%; e no quarto, de 40%. Na média do ano, a companhia calcula 40%.
“Essa posição pode se tornar um problema, mas acreditamos que haverá uma solução de curto prazo para liberar essas aprovações,” João Hopp, o diretor de RI da Plano&Plano, disse na call com analistas.
A empresa não fornece guidance para o VGV, mas diz que mira crescer em 2026 entre R$ 500 milhões e R$ 1 bilhão em relação ao ano passado, quando o percentual da Plano&Plano no VGV lançado ficou em R$ 4,8 bilhões.
A Cury – também uma incorporadora que tem em São Paulo a maior fatia do seus projetos – calcula que a decisão pode paralisar 15% dos seus lançamentos esperados para 2026, começando a partir dos empreendimentos previstos para o terceiro tri. Hoje, a empresa estima que os lançamentos do ano podem ficar entre R$ 9 bi e R$ 9,5 bi.
Já a MRV – que tem uma atuação mais espalhada pelo Brasil – disse que o impacto, se houver, “não será tão relevante”, dado que São Paulo só representa 7% das vendas da companhia.
“Boa parte dos projetos que vamos lançar este ano já estão aprovados pela Prefeitura de São Paulo,” Rafael Albuquerque, o diretor de desenvolvimento imobiliário da companhia, disse terça no MRV Day.
“Se começar a demorar demais, vai atrapalhar os lançamentos que ainda não estão legalizados. Mas no curto prazo entendemos que há um colchão de amortecimento, e que essa questão é transitória.”
A emissão de novos alvarás está suspensa desde o início do mês em São Paulo.
A suspensão é uma medida cautelar da Justiça de SP tomada em resposta a uma ação direta de inconstitucionalidade do Ministério Público, que diz que a revisão da lei de zoneamento da cidade – feita em 2024 – foi conduzida sem a participação da população, contrariando os princípios de transparência das políticas urbanas.
O órgão diz que as modificações aconteceram após uma quantidade “exígua” de audiências, o que impediu o esclarecimento de dúvidas relacionadas ao processo, e que a rapidez com a qual o projeto foi aprovado atrapalhou o planejamento técnico necessário para alinhar as alterações ao Plano Diretor Estratégico vigente.
O desembargador Luis Fernando Nishi ainda não analisou o mérito do pedido do MP, mas concedeu uma medida cautelar favorável admitindo que o processo de revisão da lei não atendeu aos requisitos de participação comunitária e planejamento técnico.
O magistrado questionou o prefeito Ricardo Nunes (MDB) e o presidente da Câmara, o vereador Ricardo Teixeira (União Brasil), sobre o tema e deu 30 dias para que enviem uma resposta à Procuradoria Geral do Estado.
A suspensão para emissão de novos alvarás também afeta demolições de imóveis e corte de árvores.
Tanto a Prefeitura quanto as empresas estão trabalhando para tentar reverter a medida.







