Obras paradas, atrasos, vendas abaixo: a crise da Patriani

Obras paradas, atrasos, vendas abaixo: a crise da Patriani
|

A construtora Patriani está tentando deixar para trás a fase mais sombria da sua história.

Depois de atrair credores como o BTG e a Kinea, a companhia se enfiou em uma crise na qual paralisou obras e atrasou pagamentos a empreiteiros.

Agora, quer sair do atoleiro por meio de uma reestruturação que incluiu o corte de até 40% do quadro de funcionários e renegociações de dívidas que entregaram parte do equity a credores, fontes a par do processo disseram ao Metro Quadrado.

Quem conhece a operação de perto afirma que o maior vilão da empresa foi o juro alto, já que a sua especialidade é tocar empreendimentos residenciais voltados para a classe média, a faixa de renda que mais depende de financiamento bancário.

Fundada há 13 anos, a Patriani atua em 13 cidades do ABC, na capital paulista e no interior do estado, e terminou 2025 com VGV lançado de R$ 1,3 bilhão.

As vendas, no entanto, estão em ritmo inferior ao esperado, e agora a empresa pretende atravessar 2026 sem fazer lançamentos, concentrando-se em terminar o que já começou.

Dos 16 canteiros, seis já foram retomados, e a empresa espera voltar com o restante em fevereiro. O objetivo é entregar oito empreendimentos ainda este ano.

Segundo o CEO Bruno Patriani, a “grande maioria” dos atrasos em pagamentos foi acertada em janeiro.

“Deve faltar muito pouco por uma questão administrativa, mas já nos livramos do nosso passado de atraso,” ele disse ao Metro Quadrado.

01 26 Bruno Patriani ok.jpg

Na reestruturação, fundos da Kinea e do BTG que investiam em CRIs da companhia converteram dívidas em participações em empreendimentos, e injetaram capital para equalizar o déficit no caixa dos projetos.

A Kinea – que estava exposta aos CRIs com cerca de 2% do patrimônio de dois de seus fundos de papel, o KNHY11 e o KNUQ11 – depois optou por desinvestir e vendeu parte deles no mercado.

A participação em SPEs também foi vendida para outra construtora que assumirá os empreendimentos, a Tarjab.

Uma fonte a par do assunto disse que a gestora preferiu sair do risco do que ter que adicionar mais capital. A venda foi feita abaixo do valor investido, mas não houve impacto de distribuição para os fundos por conta das reservas de caixa.

Já o BTG tem uma exposição de 2% do PL de seu hedge fund imobiliário (BTHF11) aos CRIs e decidiu continuar investido na tese.

Uma fonte a par das operações nas quais o BTG está envolvido disse que a Patriani praticamente zerou a participação nos projetos, que serão inteiramente financiados pelo banco. A instituição financeira levou em conta que ficará com todo o upside, sem prejuízo para o fundo.

“Com esse juro alto, a indústria está cheia de problemas. O caminho é executar as garantias para manter o retorno,” disse a fonte.

A situação é similar ao caminho que o banco seguiu na reestruturação da incorporadora You,inc, que também enfrentou uma crise no ano passado e tem o BTG como sócio minoritário e um dos principais credores.

Bruno Patriani diz que não há necessidade de uma recuperação extrajudicial ou judicial, e espera que o corte previsto nos juros reaqueça a demanda.

A companhia pretende retomar os lançamentos no médio e alto padrão só em 2027 e entrar também em um segmento mais resiliente, o econômico, com produtos para o Minha Casa Minha Vida.

Siga o Metro Quadrado no Instagram

Seguir