Quando os chineses precisam de um lugar pra morar, eles ligam para Pipo Lemann

Quando os chineses precisam de um lugar pra morar, eles ligam para Pipo Lemann
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Um ano atrás, uma empresa chinesa com negócios no Brasil precisava alugar 70 apartamentos para ser a moradia dos funcionários que estavam sendo transferidos para São Paulo.

Quem achou um lugar para eles foi Jorge Felipe Lemann, o Pipo, o fundador da JFL, um dos principais players do mercado de multifamily do País.

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Os chineses se mudaram então para o AVNU, o prédio da JFL na Av. Nações Unidas, passando a ocupar quase a metade das 160 unidades, num contrato de três anos acertado por R$ 28 milhões, o maior que a empresa de Pipo já fechou até hoje.

A imigração chinesa levou a JFL a adotar placas em mandarim no prédio para orientar os novos inquilinos, e a adicionar pratos típicos da China no cardápio do serviço de café da manhã, similar ao de um hotel.

Agora, já há conversas para a empresa chinesa adicionar mais 14 unidades ao contrato, chegando a 84 – um número bem próximo do tamanho que terá o novo prédio que a JFL está desenvolvendo em São Paulo, nos Jardins, com 86 apartamentos.

Na JFL, a demanda de companhias para locar apartamentos a empregados em São Paulo já chegou a 50% dos contratos, 5x os 10% de 2024, quando essa vertical começou a ser estruturada.

A maior procura parte de empresas estrangeiras que estão montando escritório em São Paulo, em especial as asiáticas, que já representam 65% dos contratos corporativos da JFL.

A demanda chegou a tal ponto que Pipo não descarta que em algum momento São Paulo passe a ter prédios feitos sob medida para essas empresas, uma espécie de built-to-suit do multifamily.

“Ainda não tivemos um pedido oficial para um built-to-suit, mas se há demanda para 84 unidades, isso poderia ser um prédio inteiro, então a gente já começa a pensar no BTS como uma realidade,” Pipo disse ao Metro Quadrado.

O mais comum é que projetos desse tipo sejam demandados por indústrias em cidades menores do interior, em razão da escassez de oferta de moradia.

Foi o que ocorreu com a BYD, que anunciou a construção de cinco prédios residenciais para abrigar os funcionários da sua fábrica em Camaçari, na Bahia, inaugurada no ano passado.

Quando fundou a JFL em 2015, Pipo já imaginava que haveria interesse das empresas pelo multifamily, mas disse que se surpreendeu com a proporção que o negócio está tomando.

Embora a demanda corporativa esteja em alta, a JFL acredita que o share de 50% pode já ser um ponto de equilíbrio, uma vez que as locações para pessoa física também têm crescido.

“Tendo os dois negócios, o risco é melhor distribuído, e é possível fazer uma composição tendo contratos mais longos com as empresas,” disse Pipo.

A JFL tem explorado um nicho mais premium do multifamily, atraindo famílias de alta renda ou funcionários de grandes empresas do exterior ou de outras partes do Brasil, com serviços que fazem o prédio se parecer com um hotel de alto padrão, buscando oferecer comodidade aos inquilinos.

O portfólio da companhia conta hoje com cinco edifícios, todos em São Paulo, somando 600 unidades e 44 mil metros quadrados de área privativa, nos bairros dos Jardins, Pinheiros, Vila Olímpia e Chácara Santo Antônio.

A empresa faz a gestão dos próprios ativos e evita o modelo de venda das unidades a investidores que buscam renda com o Airbnb. A taxa de ocupação é de 88% e o aluguel médio está em R$ 360/m².

O novo prédio de 86 apartamentos que a JFL está desenvolvendo fica na esquina da Alameda Lorena com a Rua da Consolação, e deve ficar pronto no fim do ano, com 7,5 mil m². “Já temos para lá algumas sondagens de empresas,” disse Pipo.

A expansão está ocorrendo num momento em que a companhia está promovendo um rebranding.

As marcas “JFLiving” e “JFL Realty” foram abandonadas para deixar apenas a sigla JFL, as iniciais de Pipo. “Assim as pessoas já economizam também no tempo para falar o nome,” ele brincou.

A empresa ainda não tem planos de curto ou médio para expandir o negócio para outras cidades, mas Pipo diz que está sempre analisando oportunidades.

O Rio, onde nasceu, seria naturalmente um segundo passo, mas ele afirma que os custos altos ainda não viabilizam economicamente uma operação.

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