Residência estudantil: a Uliving quer ir além de São Paulo — e a culpa é dos estúdios

São Paulo deixou de ser uma prioridade – pelo menos por ora – no plano de expansão da Uliving, a investida do Pátria que opera prédios voltados para a moradia estudantil.
A cidade ainda é o maior mercado da Uliving no Brasil – com quatro das suas oito unidades –, mas passou por um boom de oferta de estúdios nos últimos anos, incentivado pelo Plano Diretor, que restringiu o espaço para novos projetos de residência estudantil.
“Os estúdios são apartamentos compactos que acabam competindo conosco,” disse Ken Wainer, o sócio do Patria responsável por acompanhar de perto a Uliving.
Agora, a mira da companhia para novas empreitadas está apontada para outros dois mercados, o Rio de Janeiro e Campinas, ambas cidades onde a Uliving já está presente, mas com apenas uma unidade cada.
A única operação do Rio fica no imóvel do antigo hotel Novo Mundo, construído no final dos anos 1940 para a Copa de 1950, e comprado em 2019 pela Uliving, que fez um retrofit no local.
O ativo, localizado na Praia do Flamengo, perto do Palácio do Catete, foi pensado para atender aos alunos da FGV, da UFRJ e da ESPM, enquanto o de Campinas está próximo à Unicamp e à PUC.
“Campinas tem potencial para absorver mais uma unidade em volta da Unicamp e da PUC, e no Rio podemos ter algo perto da Gávea, onde está a PUC, que não é muito bem atendida,” disse Ken.
Segundo ele, a ideia é que os terrenos sejam comprados já em 2025. A empresa não descarta repetir a estratégia de comprar prédios prontos para reformá-los.
Fundada em 2012, a Uliving foi comprada em 2018 pela VBI Real Estate (esta depois adquirida pelo Patria) e pelo Grosvenor, family office de Hugh Grosvenor, o duque de Westminster, que já investia nesse segmento no Reino Unido.
Ken Wainer, um dos fundadores da antiga VBI, gosta da tese da moradia estudantil também porque viveu essa experiência quando ainda morava nos Estados Unidos, onde nasceu.
“Ao sair de casa para ir para uma residência estudantil, você desconstrói o que aprendeu no seu núcleo familiar para ter momentos de grande crescimento pessoal, fora da sala de aula, nos espaços sociais, nas conversas com professores, e fazendo amigos que trazem outras bagagens,” ele disse.
No Brasil, porém, há uma barreira cultural que dificulta a atração de estudantes para as moradias: as famílias das classes A e B – principal público da Uliving – criam filhos que só costumam sair de casa depois que se formam ou quando se casam.
“Coisas como dividir banheiros ou dividir quartos são menos aceitas pelos brasileiros do que pelos americanos,” Ken disse.
“E temos de ter uma estrutura de segurança que vai do quarto até a calçada da frente, para que o estudante se sinta confortável para sair e voltar. O que se oferece na média aqui é o que se oferece para a classe A nos EUA.
Para tornar mais fácil a atração de estudantes, a Uliving tem conversado com universidades para fechar parcerias, como fez com a FGV, para a unidade dos Jardins, e com a faculdade de medicina da Santa Casa de Misericórdia em São Paulo, para a unidade de Higienópolis – com acordos em que as instituições se comprometem a alugar um certo número de apartamentos.
Além de São Paulo, Rio e Campinas, a Uliving está presente nas cidades de Santos e Porto Alegre. As mensalidades vão de R$ 1,9 mil, numa opção com quarto menor e banheiro compartilhado nos Jardins, até R$ 5,5 mil, no 12º andar da unidade do Flamengo, com vista para o mar.
A taxa de ocupação do portfólio em operação é de 90%, com um total de 2,2 mil leitos.
O plano da Uliving é chegar a 4 mil leitos entre 2025 e 2028, com um ciclo de investimento de R$ 450 milhões. O portfólio construído até o momento recebeu aporte de mais de R$ 400 milhões.
Além de expandir no Rio e em Campinas, a empresa pretende voltar a crescer em São Paulo em algum momento, e estudar entrar em novas cidades como Belo Horizonte, Recife e Salvador.