RZK prepara estreia no alto padrão com o primeiro Zaha Hadid do Brasil

CANNES — A RZK Empreendimentos – a incorporadora líder do consórcio que vai levantar a nova sede do governo de São Paulo – quer entrar no segmento de alto padrão com um statement.
Durante o MIPIM, a maior feira de real estate do mundo aqui em Cannes, a companhia revelou que vai lançar nos próximos meses um residencial de 32 andares no Cidade Jardim assinado pelo Zaha Hadid Architects (ZHA) – o escritório da premiada arquiteta iraqui-britânica morta em 2016, que não conseguiu concluir um projeto no Brasil até então.
O edifício, que ainda não tem nome, foi anunciado como a pedra fundamental de um empreendimento ainda maior, o Península, um condomínio com 400 mil metros quadrados e uma dúzia de torres que a RZK pretende lançar em várias fases nos próximos anos.
Durante uma apresentação a investidores no MIPIM, executivos da empresa brasileira disseram que a parceria com o ZHA será o cartão de visitas ideal para entrar no mercado de alto padrão paulistano, ao mesmo tempo em que deixa um legado para a cidade.
Fundado por José Ricardo Rezek nos anos 70, o Grupo RZK hoje é uma holding com atuação em diversos setores, do energético ao agronegócio, e vem ampliando sua atuação no mercado imobiliário nos últimos anos por meio da RZK Empreendimentos.
Além de vencer o leilão para erguer a nova sede do governo de São Paulo, a empresa diz já ter construído 2 milhões de m² e trabalha desde 2017 no Reserva Raposo, um megaprojeto de habitação social na capital paulista que terá mais de 100 torres e 15 mil apartamentos.
Faltava o alto padrão, agora não falta mais.

A empresa comprou quase 100 imóveis no Cidade Jardim, na altura do Parque do Povo, para viabilizar o condomínio Península, e procurou o ZHA para assinar o primeiro residencial do projeto, com o objetivo de criar um benchmark para o produto e alavancar o restante da empreitada.
O escritório britânico, por sua vez, buscava uma nova chance de trabalhar no Brasil após um empreendimento em Copacabana fracassar em 2018 – e a equipe do arquiteto Cristiano Ceccato atendeu ao cold call da incorporadora.
“Sabíamos que uma obra com a grife da Zaha Hadid ficaria mais cara do que o padrão, mas gastaríamos valores semelhantes em um projeto de branded residences. Então decidimos que essa seria a nossa marca,” Silvia Gomes – a CEO do projeto que já passou pelo Deutsche Bank, Panamby e BV – disse ao Metro Quadrado.
O ZHA já contava com arquitetos brasileiros e contratou mais, para que o trabalho “seja feito em português”, e a RZK recrutou o aflalo/gasperini para ajudar a lidar com as idiossincrasias locais e a tirar do papel as geometrias complexas de Zaha no País.
A integração está a cargo de José Luiz Lemos, um sócio da aflalo/gasperini que também trabalhou no escritório britânico no passado.
Inspirado no conceito de “torres dançantes”, elaborado pela própria Zaha, o projeto engloba dois blocos que se erguem separados e se unem a partir dos pavimentos médios, formando uma figura semelhante a uma letra “h” em caixa baixa.
As torres se conectarão por um jardim suspenso e por áreas de convivência, como academia e piscina, e terão ao todo 40 apartamentos (alguns deles duplex) de 450 m² a 1 mil m².
A estruturação financeira do projeto ainda está em aberto, e a RZK diz estar sendo procurada por players internacionais e locais, incluindo fundos soberanos.
A incorporadora estima que levará pelo menos 42 meses para construir o residencial, devido à complexidade do projeto, e espera que ele ajude a financiar as próximas fases do Península.
O masterplan do condomínio – projetado pelo também britânico PLP Architecture – prevê a implementação de diversos espaços de convivência, amenities, ruas arborizadas e calçadas largas, além de ligações com o outro lado da Marginal Pinheiros.
Para as outras torres, a ideia da RZK é criar uma coleção assinada por diversos escritórios de arquitetura, respeitando as diretrizes do projeto da PLP sem tornar o design do condomínio monótono.

*O repórter viajou a convite da How2go, empresa que lidera a delegação do País no MIPIM e assessora companhias brasileiras em processos de internacionalização de negócios







