São Paulo já é o quinto maior mercado do mundo em branded residences

São Paulo já é o quinto maior mercado do mundo em branded residences
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O branded residence pegou entre os paulistanos.

Segundo um levantamento feito pela CBRE, a cidade de São Paulo já é o quinto maior mercado do mundo em número de projetos assinados por marcas, atrás apenas de Dubai, do sul da Flórida, de Nova York e de Phuket, na Tailândia.

Na capital paulista, a consultoria mapeou 25 projetos entregues ou em fase de lançamento de incorporações co-branded, enquanto Dubai tem mais de 130.

O avanço desse nicho na cidade – e no Brasil – está atrelado ao juro alto, que levou as incorporadoras a concentrarem seus investimentos nos segmentos de alto e altíssimo padrão, menos dependentes de crédito imobiliário e menos sensíveis às crises econômicas.

“Quando se chega a um limite de preço para os imóveis, o branded vira o diferencial. A junção de marcas e serviços de hotelaria, por exemplo, ajuda a fomentar as vendas”, Danilo Ferrari, o vice-presidente de capital markets, land services and hospitality da CBRE, disse ao Metro Quadrado.

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Na cidade, nomes como o estúdio italiano Pininfarina, a casa de moda Armani, os hotéis Fasano e Rosewood e as marcas brasileiras de design de móveis de luxo Artefacto e Ornare integram a lista de marcas que assinam projetos residenciais.

“O primeiro movimento veio da hotelaria; depois, das supermarcas e dos designers de automóveis; e, mais recentemente, começaram a surgir marcas brasileiras avançando nesse território de luxo,” disse o executivo.

A marcas de hotelaria ainda são maioria, representando dois terços dos projetos de brandeds em São Paulo, o que é explicado pela demanda dos clientes por serviços de concierge, limpeza, gestão de propriedades, entre outros.

Para Danilo, o mercado brasileiro pode ver o segmento avançar para outras faixas de consumo, a depender de uma melhora do cenário econômico.

Por enquanto, o custo final do metro quadrado de um branded residence ainda é o principal gargalo para conquistar a classe média, já que o preço leva em conta não apenas os royalties pelo uso do nome, mas também o custo de manutenção da identidade visual, que se estende ao longo do tempo.

“Talvez vejamos prédios assinados não por marcas de luxo, mas por empresas do universo wellness, com foco na classe média, o que ajudaria a viabilizar esses produtos,” disse Danilo.

Embora o mercado nacional viva hoje um boom desse tipo de empreendimento, edifícios assinados não são novidade no País.

Em 1991, a construtora Edel lançou no bairro de Indianópolis, na região de Moema, o Edifício Maison Paco Rabanne, inspirado na marca do estilista espanhol radicado na França.

O licenciamento do nome ocorreu pouco depois de Rabanne vender sua operação de moda ao grupo Puig, que assumiu o controle da marca em 1987. Fora da companhia, o estilista manteve o direito de comercializar seu nome em projetos imobiliários ao redor do mundo.

Dois anos depois, em 1994, a Edel lançou seu segundo projeto de branded residence, desta vez assinado pelo estilista francês Olivier Lapidus. O edifício Maison Ted Lapidus foi construído no bairro do Moinhos de Vento, em Porto Alegre.

A construtora lançou ainda um terceiro edifício, o segundo assinado por Rabanne, em Miami Beach.

O projeto enfrentou uma série de problemas que atrasaram a entrega do condomínio de luxo, prevista para 1995. Quatro anos depois, a empresa decretou falência no Brasil e nos Estados Unidos.

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