A praça que Alfredo Setubal mandou fazer em Pinheiros

A praça que Alfredo Setubal mandou fazer em Pinheiros
Rafael Balago |

Uma praça que será doada pela família de Alfredo Setubal para a cidade de São Paulo pretende ser uma espécie de “pequena floresta” no meio de Pinheiros.

Anunciado no começo do ano, o projeto da Praça Igarapé repercutiu ao usar tapumes com a frase “não é prédio, é praça” e já está em obras, com expectativa de entrega parcial para o começo de 2027.

A “pequena floresta” terá jardins cheios de verde e apenas árvores e plantas exóticas, usadas há bastante tempo no Brasil, como a Sete Copas africana, escolhidas não só pelo efeito visual, mas pela possibilidade de serem trocadas por outras espécies no futuro.

“Com a legislação atual, se você planta uma árvore nativa, nunca mais pode retirar,” Rodrigo Oliveira, o paisagista do projeto, disse ao Metro Quadrado.

Oliveira, que também vem criando mini florestas em condomínios de São Paulo, diz que os canteiros e jardins da Igarapé deverão ser “muito verdes, densos e bem bonitos, para trazer tranquilidade ao olhar”. 

A praça começou a nascer como projeto em 2019, quando a família de Alfredo Setubal passou a comprar terrenos aos poucos, até formar uma área de 784 m², dentro do quarteirão entre as ruas Artur de Azevedo, Dr. Virgílio de Carvalho Pinto, Pascoal del Galzo e Dr. Phidias de Barros Monteiro, a duas quadras do metrô Fradique Coutinho. 

O projeto de arquitetura foi feito pelo escritório FGMF, e a proposta é que o espaço funcione como um local de descompressão da correria paulistana, mas conectado à vocação comercial e gastronômica daquele pedaço de  Pinheiros. 

O espaço será uma espécie de “T” no meio da quadra, com acessos por três ruas diferentes e atrações variadas. A área construída somará 1.400 m².

“A praça não é um quadrado numa esquina. Ela cria passagens entre diferentes ruas, e bolsões com características diferentes, para que a praça tenha diversidade de usos e de ambiência,” o arquiteto Lourenço Gimenes, sócio-fundador do FGMF, disse ao Metro Quadrado. 

Assim, o acesso da Virgílio, onde ficará a livraria, tem uma conexão mais clara com o comércio de rua daquela via. 

Já o miolo dará prioridade às manifestações artísticas, com um auditório e espaço para apresentações no subsolo. Haverá, ainda, arquibancadas externas.

A terceira âncora será um espaço gastronômico, onde há espaço para um restaurante ou café, com área reservada para uma cozinha de maior capacidade – o contrato de locação ainda não foi fechado. 

Ao final, no acesso da Artur, haverá um playground e foco em brincadeiras. O design de todo o espaço terá, também, um grande uso de elementos de madeira. 

Por causa de uma mudança do zoneamento, de 2024, os outros prédios daquela quadra não podem superar 10 metros de altura, o que manterá a harmonia visual entre a nova praça e os prédios vizinhos. 

Lourenço avalia que Pinheiros, apesar do boom imobiliário que vive, tem poucas praças e espaços públicos onde as pessoas possam permanecer. O Largo da Batata, por exemplo, segue pouco atrativo, mesmo após a reforma da década passada.

“É como se a praça pegasse no lugar certo, na hora certa, um bairro que já tem uma vida de rua e clama por um espaço de qualidade, onde simplesmente se pode parar e tomar um sorvete sentado,” ele disse.

A Igarapé não tem data oficial de inauguração, mas a expectativa é que comece a ser aberta em 2027. A livraria deve ser o primeiro espaço a começar a funcionar.

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