A demanda por galpões é tanta que só há estoque para 6 meses

A demanda por galpões é tanta que só há estoque para 6 meses
Rafael Balago |

A vacância dos galpões no Brasil fechou o terceiro trimestre em 4,9%, o menor valor da série histórica, e a tendência é clara: vai continuar faltando lugar em 2027.

Segundo dados da Binswanger, se não houver mais entregas, o estoque atual é suficiente para atender à demanda por mais seis meses. Um ano atrás, esse indicador estava em 11 meses.

A razão é simples: em 2026, chegamos ao quarto ano seguido em que a absorção fica acima da entrega de novos espaços.

Assim, o preço médio vem subindo e atingiu R$ 35,15 por m², quase o dobro do registrado em 2020. 

No terceiro tri, a absorção líquida foi de 1,02 milhão de m². Nos últimos 12 meses, esse indicador soma 4 milhões de m², também o maior da série histórica, iniciada em 2013.

De julho a setembro deste ano, o Mercado Livre foi responsável por três das cinco maiores locações de galpões do país, ao alugar espaços em Guarulhos, São Bernardo do Campo e Cajamar. 

Sem considerar o Meli e a Shopee, os maiores negócios do tri envolveram um novo galpão da transportadora Kothe em Cajamar, outro da transportadora Tecadi em Navegantes e um terceiro da Editora FTD em Embu das Artes.

Para os próximos anos, a tendência é de que a vacância continue baixa.

Mesmo com 5,2 milhões de m² de galpões em obras, a Binswanger estima que a vacância média do País deverá cair ainda mais em 2027 e chegar a 1,3% no cenário referencial. 

“Em nenhum lugar do Brasil a vacância vai ser superior a 5%,” Simone Santos, a sócia-diretora da Binswanger, disse ao Metro Quadrado. 

Ela sugere que as empresas que buscam se mudar ou expandir precisam agir com antecedência de um ano e meio, dado o tempo necessário para aprovar e construir novos projetos. 

“Nos próximos 24 meses, o cenário de baixa oferta não deve mudar,” diz Simone. 

Ela pondera, no entanto, que uma eventual queda da taxa de juros pode aumentar o apetite dos investidores, que hoje buscam o menor risco possível. 

“Se essa queda se concretizar, os investidores virão com mais apetite, mais no formato especulativo puro, de colocar no mercado antes de estar pré-locado ou de fazer BTS,” afirma. 

Para o último trimestre de 2026, está prevista a entrega de 2,2 milhões de m² de galpões, sendo que 51% já estão pré-locados. 

A consultoria aponta que Guarulhos seguirá em destaque, pois receberá 45% das entregas em São Paulo no 4º tri. O maior dos projetos do período, o Marq Guarulhos III, de 245 mil m², já abrirá 100% locado para a Shopee.

Já o Mercado Livre receberá dois novos CDs, um em Franco da Rocha (147 mil m²) e outro na Marginal Tietê (84 mil m²). 

Em nível nacional, São Paulo concentra 49% do estoque, e o Sudeste, 72% do todo. Nas outras partes do Brasil, Simone aponta que o maior crescimento de galpões deverá ocorrer no entorno de grandes capitais.

“Hoje, além de Recife, a grande Fortaleza, grande Salvador e grande João Pessoa também estão ganhando novos empreendimentos, assim como no Centro-Oeste e em Santa Catarina,” afirma. 

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