A rede de hotéis que quer espalhar ‘o jeito mineiro de receber’

Enquanto os players internacionais ampliam sua presença na hotelaria corporativa, o grupo mineiro Rede Tauá quer dominar outro segmento: o de lazer.
A empresa, que nasceu como um “hotel sítio” na região metropolitana de Belo Horizonte, está se transformando em uma bandeira focada em ativos de turismo familiar.
Para a CEO Lizete Ribeiro, o plano é levar para todo o Brasil, em empreendimentos de terceiros, o jeitinho mineiro de receber.
“Meu pai tinha uma certeza na vida: que a gente precisava tratar bem os hóspedes, adular as pessoas que nos visitam, receber todo mundo com um sorriso no rosto, que eles voltariam. É o jeito do mineiro,” ela disse ao Metro Quadrado.

Atualmente, o grupo tem operações próprias em Minas Gerais, São Paulo e Goiás, e se prepara para abrir o Tauá Resort João Pessoa, na Paraíba, em julho.
“Nós vimos que, para crescer, o caminho não seria apenas construir hotéis, mas lançar essa bandeira de gestão,” disse.
A rede Tauá nasceu há 40 anos, fundada pelo pai de Lizete, João Pinto Ribeiro, que em 1986 transformou o sítio da família, em Caeté, na região de BH, em hotel.
Antes de virar negócio, o empreendimento era ponto de encontro dos amigos dos três filhos de João.
“Depois de um ano no sítio, os amigos nos visitavam todo final de semana e só faziam bagunça. Meu pai pensou: ‘vou fazer uns quartinhos aqui e alugar para eles voltarem pagando’,” disse Lizete, em tom de brincadeira. “Os amigos nunca voltaram pagando pela hospedagem, mas ali nasceu o nosso primeiro hotel fazenda Tauá, com 22 apartamentos.”
Sem experiência em hotelaria, o fundador contratou o antigo dono do terreno para ser o gerente do negócio, que mais tarde se transformaria em uma rede.
Dali em diante, a empresa cresceu e passou a buscar expansão além das veredas mineiras. Há dois anos na cadeira de CEO, Lizete assumiu a função até então ocupada por seu irmão mais velho, Daniel Ribeiro, hoje presidente do conselho.
Segundo ela, a gestão de Daniel foi marcada pela expansão das unidades próprias. Agora, seu desafio é a profissionalização do sistema de gestão de hotelaria de lazer, abrindo a frente de administração de ativos de terceiros.
“Existe uma lacuna muito grande no mercado de lazer. Enquanto no segmento corporativo há uma guerra com vários players brigando por bandeiras, o lazer é um bicho difícil de operar. No corporativo, o hóspede só dorme e sai para fechar negócios; no resort, ele fica 24 horas com você,” ela disse.
Para se diferenciar, a rede precisou transformar o “savoir-faire” da hospitalidade mineira em processos claros, capazes de serem replicados.
“Há 40 anos meu pai já me ensinava que precisávamos chamar o hóspede pelo nome e receber todo mundo com um sorriso no rosto. O meu desafio foi transformar isso em processos e rituais claros, que fossem escaláveis,” disse. “Hospitalidade nada mais é do que atender bem e criar o desejo de a pessoa querer voltar.”
O plano inicial da bandeira Tauá é conquistar a gestão de empreendimentos de lazer com administração pouco profissionalizada – geralmente negócios familiares – em todo o Brasil, no segmento que vai do midscale ao upscale.
Hoje, os hotéis da rede operam com um share of wallet dos hóspedes que varia entre R$ 2,5 mil e R$ 4 mil por dia.
Segundo a executiva, além dos hotéis que precisam profissionalizar sua gestão, há um número crescente de negócios familiares com dificuldade de sucessão da administração e que podem ser atendidos pela rede.
Apesar do foco na bandeira de gestão, Lizete diz que a empresa segue com apetite para projetos greenfield.
Atualmente, a rede tem um pipeline de R$ 1 bilhão, que deve viabilizar novos projetos nos próximos dois anos.
Sobre a expansão, a CEO diz que o maior gargalo está na logística – de estradas à malha aérea. Por ora, o foco está nas regiões Sul, Sudeste e Nordeste.
Lizete vê a necessidade de um esforço coletivo entre governos municipais e estaduais para fomentar o setor.
“Ainda há muitos lugares onde podemos investir, mas não há turismo sem estradas,” disse.







