Faria Lima vê absorção cair, enquanto Pinheiros e Chucri avançam

A falta de espaço na Faria Lima e os preços de aluguel nas alturas já estão se refletindo em uma perda de fôlego no ritmo de locação dos escritórios em prédios de alto padrão na avenida.
Segundo dados da Newmark, a Faria Lima foi a única entre as principais áreas corporativas da cidade que começou 2026 com absorção líquida negativa.
No primeiro tri, o volume de devoluções de escritórios superou as novas locações em 5 mil metros quadrados.
Trata-se do segundo tri consecutivo com absorção líquida negativa. No quarto tri do ano passado, a perda foi de 3,2 mil m².
Além de a avenida praticamente não ter mais oferta disponível para realizar novas locações de grande porte, os preços estão assustando as empresas que chegam a sondar os proprietários.
Na Faria Lima, a média do preço pedido no primeiro tri ficou em R$ 311/m² nos prédios de alto padrão, mais de duas vezes a média de São Paulo, de R$ 121/m², segundo levantamento da Newmark.
Já no restante da cidade, as áreas que mais estão conseguindo se contrapor à estagnação da Faria Lima são Pinheiros e a Av. Chucri Zaidan.
Nos 12 meses encerrados no primeiro tri, Pinheiros e Chucri tiveram as duas maiores absorções líquidas de São Paulo em prédios de alto padrão, com 80,2 mil m² e 50,7 mil m², respectivamente, enquanto a Faria Lima ficou negativa em 8,4 mil m².
Na Crucri, no entanto, os preços e a taxa de vacância ainda estão devendo, em razão do elevado estoque construído nos últimos anos.
A avenida tem o maior estoque pronto de prédios de alto padrão da cidade, com quase 900 mil m², e por isso ainda tem uma das maiores taxas de vacância do mercado paulistano, de 14,3%, bem acima de Pinheiros (8,5%), Faria Lima (6,8%) e Av. Paulista (2,8%).
Também por isso, o preço na Chucri ainda não decolou. A média do primeiro tri ficou em R$ 109/m², abaixo da média da cidade e atrás de outras regiões também menos nobres que a Faria Lima, como a Vila Olímpia (R$ 152/m²), a Paulista (R$ 137/m²) e Pinheiros (R$ 162/m²).
No primeiro tri, o mercado da cidade como um todo continuou reduzindo a vacância, agora de 15,9% para 14,7%, enquanto a absorção líquida ficou positiva em 94 mil m², uma leve alta em relação ao que foi registrado no primeiro tri do ano passado (92 mil m²), mas uma queda ante os 107 mil m²anotados no último tri do ano passado.
Para o restante de 2026, a Newmark espera que o mercado de escritórios siga em expansão, mas em ritmo mais moderado do que no segundo semestre do ano passado, dado que o volume de entrega de novo estoque está menor, em razão do custo de capital ainda elevado, e também “devido a um ambiente marcado por maior volatilidade macroeconômica e incertezas no cenário político.”
“Ainda assim, o mercado tende a preservar fundamentos equilibrados, com níveis saudáveis de absorção, disponibilidade controlada e valores de locação sustentados, reforçando a atratividade dos escritórios prime como base para decisões estratégicas de ocupação e investimento corporativo,” disse a consultoria em relatório.







