Gramado troca luas de mel por famílias – e atrai complexo de R$ 1 bi

GRAMADO, Rio Grande do Sul – Antes conhecida como um destino romântico para casais, esta cidade agora está se transformando em um polo de parques e atrações que atraem famílias e grandes projetos imobiliários para a região da Serra Gaúcha.
O maior dos novos projetos até agora terá a sua primeira fase entregue em 2027.
O Sirena Gramado – um empreendimento de luxo que reúne hospitalidade, residências e entretenimento – soma um investimento de R$ 1 bilhão e é ancorado pelo Club Med. A obra já está em curso.
O projeto segue uma transição no perfil dos turistas de Gramado que começou ainda na década passada com a chegada de parques temáticos como o Snowland e o Museu de Cera a uma cidade que antes tinha uma característica de destino de lua mel em pequenos hotéis familiares e pousadas.
As opções de entretenimento passaram a funcionar como um chamariz para as famílias com crianças, que em 2022 já representavam 30% dos visitantes, segundo dados da Prefeitura de Gramado.
Ainda assim, os casais seguiam sendo maioria, com uma representatividade de 35%. A virada aconteceu no pós-pandemia, quando o brasileiro passou a viajar mais, principalmente dentro do próprio País.
“O câmbio torna muito difícil viajar para fora. Ir para a Disney, por exemplo, ficou ainda mais caro, o que melhorou bastante o consumo de viagem de lazer no Brasil,” Ricardo Mader, o diretor de hotelaria da JLL no Brasil, disse ao Metro Quadrado.
Com isso, Gramado quebrou um recorde e alcançou o patamar de 8 milhões de visitantes por ano imediatamente após o fim da pandemia e as famílias com crianças ultrapassaram oficialmente o número de casais no ano passado – 30% contra 29%, ainda segundo a Prefeitura.
“Mudou de um destino de aproveitar o friozinho, tomar um vinho e comer fondue para um turismo de massa. Com isso, não dá mais pra ficar naqueles hotéis romantiquinhos e dá para partir para grandes empreendimentos,” disse Mader.
Foi essa virada que atraiu o Club Med para fazer parte do maior projeto anunciado na região até agora. A rede francesa será responsável pela divisão hoteleira do complexo de 205 hectares.
Esse será o quarto resort da marca no País e o primeiro com a bandeira Exclusive Collection – seu selo de luxo.
Para o Club Med, Gramado já tinha atributos muito fortes para viagens multigeracionais e agora se consolida como uma referência em hospitalidade para famílias de alto padrão – um público que costuma gastar mais.
“O público familiar gera um impacto econômico relevante, pois tem uma jornada mais ampla, com estadias longas e maior consumo de experiências dentro e fora do resort,” Janyck Daudet, o CEO do Club Med para a América Latina, disse ao Metro Quadrado.
O Sirena Gramado foi idealizado por um empresário especialista em entretenimento, Dody Sirena, e, além do resort all inclusive, contempla também residências, pista de ski e espaço de eventos e convenções.
Dody gerenciou a carreira de Roberto Carlos por cerca de 30 anos e foi o responsável por trazer ao Brasil shows de Michael Jackson e Paul McCartney, entre outros grandes nomes internacionais.
“O Club Med se interessou quando provoquei eles ao dizer, ‘vamos fazer uma Disney aqui’. Ou seja, um conjunto de entretenimento com eles como âncora e o real estate que viabiliza financeiramente o projeto,” disse Dody.
A primeira fase inclui 20 villas de luxo com VGV estimado entre R$ 130 milhões e R$ 150 milhões que devem ser entregues no segundo semestre do ano que vem. O VGV total do empreendimento pode chegar a R$ 1,5 bilhão.
Além do projeto ancorado pelo Club Med, a rede alemã Kempinski também constrói um empreendimento de luxo a poucos minutos de Gramado, em Canela, e a marca portuguesa Vila Galé também estuda entrar na região.
Para Ricardo Mader, a chegada desses nomes internacionais é bem-vinda para aumentar a oferta de quartos. Mas gera preocupações quanto à infraestrutura local.
Gramado hoje tem 190 hotéis e pousadas, número mais de quatro vezes superior ao total que registrava em 2020.
“A prefeitura bloqueou a aprovação de novos projetos hoteleiros por enquanto porque há um problema para garantir água e energia suficiente para atender tudo que tem sido feito.”
Outro gargalo da região, ainda na visão do diretor da JLL, é o acesso, hoje feito principalmente por meio do Aeroporto de Porto Alegre, que fica a cerca de 100 quilômetros de Gramado.
“É uma preocupação já há 30 anos ter que passar aquele perrengue de descer Porto Alegre e pegar um transfer, ônibus ou alugar carro.”
O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, afirmou, durante o evento de lançamento da pedra fundamental do Club Med Gramado, que o governo estuda criar uma linha de trens para ligar as duas cidades em uma hora.
A expectativa é que o projeto se transforme em realidade até o início da próxima década.
Leite disse ainda que há projetos viários em discussão para ligar a região ao novo aeroporto que está sendo construído em Caxias do Sul, cidade localizada a cerca de 70 quilômetros de Gramado.
As obras do aeroporto estão em fase de licitação e devem começar ainda neste ano.







