Iguatemi tem lucro recorde, mas juros pesam na dívida

Iguatemi tem lucro recorde, mas juros pesam na dívida
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Os novos (e mais rentáveis) shoppings do portfólio e a reciclagem de ativos levaram o Iguatemi a um lucro recorde em 2025. Mas os juros altos ainda pesaram sobre os resultados do quarto trimestre.

A companhia da família Jereissati registrou R$ 610 milhões no bottom line ajustado do ano passado, cifra que representa o maior patamar já registrado pela empresa e um crescimento de 22,4% ante 2024.

Um dos fatores por trás do recorde foi um ganho de capital de R$ 92,2 milhões com a venda de participações no Complexo Market Place, em São Paulo, e no Galleria Shopping, em Campinas, ainda no segundo trimestre.

Além do efeito financeiro, houve melhora operacional com as entradas dos shoppings Rio Sul e Pátio Paulista no portfólio.

As vendas totais do quarto trimestre cresceram 12,8% na comparação com o mesmo período do ano anterior e somaram R$ 7,9 bilhões.

A receita líquida também cresceu 14,4% na mesma base de comparação, mas ficou abaixo do consenso de mercado: foram R$ 416 milhões contra uma projeção de R$ 454 milhões.

Já o lucro líquido do trimestre e o EBITDA tiveram desempenhos estáveis, mas também abaixo do consenso.

O EBITDA avançou 1,7% para R$ 306 milhões, contra consenso de R$ 328 milhões, enquanto o lucro cresceu 3% para R$ 145 milhões e veio levemente abaixo da projeção de R$ 152 milhões. 

Segundo a companhia, o resultado foi afetado pela taxa elevada de juros, que encareceu a despesa financeira — o indicador cresceu 77% no período, para R$ 161,8 milhões.

Guido Oliveira ok

“O juro foi elevado em 33% ao longo de 2025, então isso impactou a nossa receita e a nossa despesa financeira. Não fosse isso, o lucro teria sido bem melhor,” o CFO Guido Oliveira disse ao Metro Quadrado.

O fluxo de caixa operacional (FFO) também foi afetado pela Selic e recuou 5,9% na mesma base de comparação, para R$ 184,4 milhões. 

Apesar disso, a alavancagem medida pela relação entre a dívida líquida e o EBITDA fechou em 1,68x, e a companhia cumpriu a meta de manter o indicador abaixo de 2x em 2025 mesmo com as aquisições ao longo dos últimos meses.

A mais recente foi a compra de mais uma fatia do Pátio Paulista. A companhia pagou R$ 113,4 milhões por 4,5% do empreendimento, elevando sua participação total para 16%.

“Foi uma oportunidade em um ativo já conhecido e com forte performance, ” disse Oliveira. O Pátio Paulista foi o quarto empreendimento que mais vendeu no portfólio da Iguatemi em 2025.

Por outro lado, a companhia assinou em dezembro um MOU para vender parte de quatro ativos para o fundo imobiliário XP Malls (XPML11).

Essa estratégia de trocar a participação em shoppings menos dominantes por shoppings mais rentáveis tem ajudado a manter a alavancagem sob controle.

Assim como outros grandes players, o Iguatemi não prevê novos projetos greenfield em 2026. O mercado tem adotado uma postura cautelosa em um ano de eleição e incertezas macroeconômicas.

Para este ano, a empresa segue analisando novas possibilidades de M&A, mas a prioridade agora é ampliar os ativos já existentes ou torná-los mais eficientes.

Esse ciclo inclui o Iguatemi da Faria Lima e o de Brasília, além de um retrofit no Market Place e a construção de uma torre comercial ao lado do Galleria Shopping de Campinas.

“A ideia é capturar valor adicional em ativos já dominantes, com alta ocupação, demanda reprimida e forte performance.”

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