O mercado de aluguel de escritórios de alto padrão do Rio de Janeiro atingiu um marco simbólico: a taxa de vacância atingiu 23,5%, a menor desde 2014.
A negociação dos espaços corporativos é maior na área central, que teve grandes reformas no período entre a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016, mas demorou a atrair ocupantes.
Dados da Newmark apontam que, no terceiro tri, o Centro foi a área com maior absorção líquida na cidade, com 7,6 mil m², puxada pela mudança do Coren-RJ para o edifício Bolsa do Rio.
Outras movimentações de destaque nos arredores envolveram a ida da SAMM e da Vale ao conjunto Centro Empresarial Cidade Nova. No Porto Maravilha, o Cepel (Centro de Pesquisa em Energia Elétrica) chegou ao AQWA Corporate.
Apesar dos avanços, a vacância segue alta na região, com 26,9% no Centro, 27,4% no Porto Maravilha e 39,1% na Cidade Nova.
A vacância mais baixa da cidade está em Botafogo, com 4,4%, seguida por Flamengo e Glória (10%) e Zona Sul (11,3%).
Mariana Hanania, a head de Pesquisa e Inteligência de Mercado da Newmark Brasil, aponta que o mercado do Rio vem alternando altos e baixos há alguns anos, e o que chamou a atenção no tri foi que a vacância caiu mesmo com a entrada de um novo prédio no mercado, o Aliança da Bahia, no Centro.
“Além disso, o preço pedido também voltou a subir de forma significativa,” ela disse ao Metro Quadrado.
O valor médio de locação na cidade avançou 4,2% no trimestre, para R$ 83,43/m²/mês. No entanto, ainda está distante do patamar de 2014. Naquele ano, o preço médio era de R$ 118,60/m².
A Zona Sul segue como o lugar mais valorizado, com preço médio de R$ 349/m² mensais, quatro vezes a média da cidade.
Mariana avalia que a alta na busca por escritórios na cidade é impulsionada pelo governo e pelo setor de óleo e gás, e pelo retorno das empresas ao trabalho presencial, embora no Rio esse movimento ocorra em velocidade um pouco menor.
Apesar da melhora, ainda há dúvidas entre os incorporadores sobre lançar ou avançar com novos projetos na cidade.
Segundo a Newmark, há 131 mil m² de escritórios em construção e outros 400,9 mil m² em projetos anunciados, mas sem previsão de início das obras.
Entre os projetos on hold, estão a nova sede do Banco Central (30 mil m²), um retrofit na Rua do Livramento (19 mil m²), no Porto Maravilha, e o The City Business, na Barra (20 mil m²).
A lista de prédios em construção inclui o Rythme Leblon (21 mil m²), retrofit classe AAA previsto para este ano; o Garcia 111 (22,9 mil m²), em Ipanema, e o retrofit da antiga sede do Banco Boa Vista (12,5 mil m²), no Centro, ambos com entregas previstas para 2028.
Mariana aponta que a cidade ainda tem uma grande demanda por edifícios novos de alto padrão, especialmente na Zona Sul.
“Quando eles forem entregues, vai ser como abelha no mel.”




